Cerca de 46% dos idosos têm dificuldade em realizar atividades domésticas, como ir às compras, cozinhar, realizar as tarefas de casa, gerir o dinheiro, tomar medicamentos ou utilizar o telefone. Estas dificuldades acentuam-se entre os maiores de 85 anos.
Já 17% admitem “maior grau de dificuldade” nos cuidados pessoais que exigem maior mobilidade, como tomar banho ou duche, deitar-se, sentar-se ou levantar-se, vestir-se ou despir-se, segundo revela um estudo efetuado em 2025 pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), no âmbito do Inquérito Nacional de Saúde.
“Ouvir num ambiente ruidoso, usar a memória/concentração, morder e mastigar” torna-se, por outro lado, particularmente difícil para muitos idosos, que admitem ainda dificuldades em subir e descer 12 degraus ou caminhar 500 metros sem ajuda.
Os dados recolhidos permitem ainda aferir que mais de metade (55,5%) das pessoas com 65 anos ou mais vive com hipertensão arterial e metade sofre de dores lombares ou problemas nas costas. A dislipidemia (níveis elevados de gordura no sangue) afeta 48,4% da população sénior, seguindo-se, em termos de prevalência de doenças crónicas, a artrose (45,6%), dores cervicais ou outros problemas no pescoço (35,9%), diabetes (27%), incontinência urinária (18,9%), alergias (17,9%) e depressão (16,2%).
Segundo o INE, “apenas menos de um terço da população com 65 ou mais anos vive sem limitações físicas ou sensoriais”, sendo que as limitações motoras afetavam mais mulheres (46,8%) do que homens (27,2%).
Os problemas de saúde prolongados são ainda apontados por muitos inquiridos como obstáculo na utilização de meios de transporte (16,9%), no acesso e utilização de edifícios e instalações (16,0%) e na mobilidade fora de casa (15,7%).
12%
O estudo do INE revela que quase 12% da população maior de 65 anos assumem a prestação de cuidados informais a outras pessoas, incluindo não familiares
O inquérito confirma ainda que os acidentes domésticos ou de lazer com lesão aumentam com a idade. Quase 10% das pessoas com 85 ou mais anos referiram ter sofrido pelo menos um acidente nos 12 meses anteriores à entrevista, uma realidade que afetou globalmente cerca de 6,4% das pessoas com mais de 65 anos.
No que toca à rede de suporte, o INE indica que mais de um terço dos idosos (35,6%) beneficiam do apoio de apenas uma ou duas pessoas próximas, a quem podem recorrer “em caso de problema pessoal grave”. Cerca de 40% contam com o apoio de três a cinco pessoas e 15,6