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Rede de Cuidados Continuados perdeu quase 900 camas em cinco anos

Estudo da Faculdade de Economia do Porto confirma que o modelo atual de financiamento é insuficiente para cobrir os custos reais suportados pelas instituições prestadoras de cuidados.

Uma pessoa com bata hospitalar e pulseira no pulso apoia-se num andarilho junto a uma cama. O rosto não está visível.
Associação dos Cuidados Continuados atribui encerramento de camas e unidades ao subfinanciamento

Em quase cinco anos, a rede nacional de cuidados continuados integrados (RNCCI) perdeu 749 camas, alerta a Associação Nacional dos Cuidados Continuados (ANCC), que atribui esta redução ao subfinanciamento.

A este número, a associação soma ainda 115 camas que passaram a ser geridas por equipas que prestam cuidados no domicílio ao abrigo de “consolidação da rede”, por considerar que “uma vaga em apoio domiciliário não substitui a necessidade de uma cama de internamento”.

“O ano de 2026 ainda não terminou e já regista um número recorde de camas encerradas – 264 correspondentes a dez unidade de cuidados continuados integrados (UCCI) que encerraram -, a que se somam 72 de consolidação de rede”, refere em comunicado José Bourdain, presidente da ANCC, que antevê novos encerramentos até ao final do ano.

Um estudo realizado pela Faculdade de Economia do Porto a pedido da ANCC “confirma que o modelo atual de financiamento da RNCCI é insuficiente para cobrir os custos reais suportados pelas instituições prestadoras de cuidados, especialmente nas respostas de Média Duração e Reabilitação e de Longa Duração e Manutenção”.

Sublinhando que o desfasamento “resulta simplesmente da diferença entre os custos efetivamente suportados para prestar os cuidados e os montantes pagos pelo Estado”, o estudo conclui ainda que, “apesar das atualizações recentes dos valores pagos, os défices persistem e tendem a agravar-se com o aumento dos custos operacionais, em particular dos custos com pessoas, que constituem a principal componente da estrutura de custos” nas três tipologias analisadas – Unidade de Convalescença (UC), Unidade de Média Duração e Reabilitação (UMDR) e Unidade de Longa Duração e Manutenção (ULDM).

O prejuízo nos cuidados continuados rondou, em 2025, os 180 mil euros nas unidades de longa duração, adiantam os investigadores, estimando que o subfinanciamento pode este ano ultrapassar os 6.600 euros/utente.

Referem ainda que este agravamento continuado dos custos coloca em causa a sustentabilidade da RNCCI e alertam para a necessidade de rever todo o modelo de financiamento, assim como os parâmetros dos recursos humanos previstos em cada tipologia.


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