Os residentes no concelho da Nazaré vão poder utilizar gratuitamente os transportes por cabo a partir de 1 de janeiro de 2027. A medida, aprovada por unanimidade anteontem em reunião de Câmara, abrange o ascensor entre a Praia e o Sítio e será extensível ao futuro funicular entre a Praia e a Pederneira.
O acesso será feito através de um passe anual gratuito, mediante comprovativo de residência fiscal no concelho.
A proposta enquadra a medida na estratégia municipal de mobilidade sustentável, procurando reduzir a utilização do automóvel e reforçar as ligações entre Praia, Sítio e Pederneira. O presidente da Câmara, Serafim António, lembrou que, existindo já gratuitidade nos transportes urbanos para os residentes, fazia sentido aplicar o mesmo princípio aos transportes por cabo. “Queremos que a população beneficie diretamente”, afirmou. “A autarquia defende ainda que a medida pode contribuir para retirar carros das deslocações internas, sobretudo entre o Sítio e a Praia, diminuindo a pressão automóvel em zonas particularmente procuradas durante os períodos de maior afluência”.
A perda de receita foi estimada em 52.317 euros, com base no valor arrecadado em 2025 com os passes de residentes no Ascensor. Para compensar esse impacto, está prevista uma revisão do tarifário aplicado aos restantes utilizadores, nomeadamente turistas.
O vereador do PS Milton Estrelinha manifestou-se favorável à gratuitidade, mas questionou a sustentação financeira da proposta, a origem do valor e o facto de a medida não ter sido previamente deliberada pelo Conselho de Administração dos Serviços Municipalizados da Nazaré. Já a vereadora do Chega, Lúcia Loureiro, saudou igualmente a gratuitidade, afirmando que o partido “vota pelo interesse dos nazarenos, não pelo partido”.
O vereador do pelouro, Miguel Sousinha, garantiu que o cálculo foi fornecido pelos serviços técnicos e que a medida não coloca em causa a sustentabilidade dos SMN. No primeiro ano, serão os Serviços Municipalizados a suportar a quebra de receita, sendo a solução revista caso o impacto ultrapasse significativamente o previsto.
Após o primeiro ano será elaborado um relatório de avaliação sobre passageiros, receitas, custos de exploração e impacto na mobilidade local.
Gratuitidade implicará o aumento do preço para visitantes