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Saúde

Solidão afeta um em cada dez portugueses, alertam psicólogos

Segundo a Ordem dos Psicólogos Portugueses, “a solidão aumenta em 14% o risco de mortalidade por todas as causas” e “em 31% o risco de demência”.

Se a sensação de solidão se prolongar no tempo, procure ajude, recomenda a Ordem dos Psicólogos

Um em cada dez portugueses admite sentir-se sozinho a maior parte do tempo. Os dados são avançados pela Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) que, na passada semana, apelou ao Governo para assumir o combate à solidão como uma prioridade de saúde pública.

Segundo a Ordem, “a solidão aumenta em 14% o risco de mortalidade por todas as causas” e “em 31% o risco de demência”.

O impacto da solidão aumenta ainda o risco de doença cardiovascular e de diabetes tipo 2, estando também associada “a depressão, ansiedade, perturbação bipolar, psicose, perturbação de stresse pós-traumático, perturbações da alimentação, ideação suicida e comportamentos autolesivo”.

Mas não só. Além dos efeitos negativos para o bem-estar e qualidade de vida individual, a OPP enumera um conjunto de “prejuízos” em termos económicos e sociais, traduzindo-se, por exemplo, em “maior perda de produtividade”, devido a uma “menor capacidade de concentração e motivação, mais baixas médicas, maior absentismo e presentismo e mais custos para as empresas”.

Segundo os psicólogos, quem sofre de solidão tem, por outro lado, “maior risco de ficar desempregado e dificuldades em manter o emprego, sobretudo quando existem problemas de saúde psicológica”.

Os custos em saúde também aumentam por implicar “mais consultas médicas, mais hospitalizações, mais idas à urgência e mais gastos com medicação”, sendo também maior o risco de exclusão social, dado o “isolamento e afastamento da vida comunitária, diminuição da participação cívica, cultural e política”.

Por último, alerta a Ordem, “quando as pessoas se sentem solitárias, envolvem-se menos na comunidade, diminuindo as redes de apoio social, a solidariedade e a coesão”, prejudicando a coesão social.

No guia “Vamos falar de solidão”, disponível gratuitamente no site www.ordemdospsicologos.pt), a OPP distingue a solidão voluntária (por opção) e involuntária (não desejada). No primeiro caso, a solitude “é uma escolha e pode até ser positiva, podendo ser um espaço de repouso, de reflexão e de criatividade”, enquanto o segundo “envolve um sentimento de angústia e mal-estar”, que pode funcionar “como um sinal de alarme”.

“Quando se prolonga no tempo (ou seja, quando é crónica), tem efeitos negativos na nossa saúde, bem-estar e qualidade de vida”, frisa o documento, que aborda ainda mitos e factos, motivos e algumas estratégias para lidar com a solidão.


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