“Ninguém estava à espera de uma coisa catastrófica como foi”. O desabafo de António Grilo, diretor de serviços do Centro Social de Vieira de Leiria (CSVL), traduz a impotência contra os ventos que arrasaram vários concelhos.
Na manhã de quarta-feira, parte do telhado da instituição tinha voado. Com a ajuda de alguns voluntários, entre os quais, que trouxe da Marinha Grande, foi possível repor algumas telhas e colocar lonas para minimizar os estragos. Na segunda-feira, Vieira da Leiria ainda não tinha luz, e água apenas “de vez em quando”.
“Felizmente, graças ao apoio da Segurança Social, ontem à noite [domingo] vieram cá trazer um gerador que foi pedido através da construtora Pragosa, da Batalha, que também foi pedir a um concorrente para nos ceder”. Com esse apoio, a instituição conseguiu ter energia e água para poder funcionar. Também a autarquia facultou ao CSVL um gerador que permitiu manter as arcas congeladoras com alguma refrigeração.
“Nunca deixámos de dar refeições aos nossos utentes, bem como ao apoio domiciliário. Também temos cantina social e as refeições do lar da PSP da Praia da Vieira vão daqui”, explicou ao REGIÃO DE LEIRIA.
Além dos 22 utentes no centro de dia e de outros com apoio domiciliário, a instituição acompanha 19 idosos na estrutura residencial para pessoas idosas, que, segundo António Grilo, viveram “uma noite complicada”.
“As pessoas têm alguma idade e, se calhar, já passaram por outras intempéries destas, não tão violentas. Tentou-se acalmar as pessoas” e recorreu-se a “algumas lanternas e candeeiros a pilhas e a gás”, conta.
“Felizmente, nunca choveu nos quartos”, acrescentou, enaltecendo a boa vontade das funcionárias que não faltaram ao serviço, apesar dos danos que também sofreram nas suas casas.
Serviços no terreno
Várias instituições de apoio a idosos do distrito de Leiria, das redes social e privada, foram afetadas pela depressão Kristin, estando em curso o levantamento dos danos.
Segundo adiantou fonte do Instituto da Segurança Social (ISS) ao REGIÃO DE LEIRIA, algumas entidades conseguiram minimizar os estragos registados nos telhados, paredes e viaturas, com o apoio das autarquias, empresas e particulares, que disponibilizaram geradores e combustível, materiais de construção, lonas e maquinaria.
Nos casos em que faltou a água, o abastecimento tem sido assegurado pelas corporações de bombeiros.
Enquanto os serviços de apoio domiciliário (SAD) estão a funcionar de modo “a garantir a satisfação das necessidades dos utentes”, com “monitorização permanente da situação em que cada pessoa se encontra”, a maioria dos centros de dia estão encerrados. Ainda assim, refere o ISS, a situação dos utentes está a ser acompanhada pelas instituições, mediante deslocações aos domicílios.
O ISS refere ainda que tem equipas de intervenção em crise no terreno, preparadas para intervir em caso de necessidade.
Houve muita boa vontade e ajuda das funcionárias que não faltaram ao serviços, apesar de terem bens pessoais em casa para cuidar e faltas de telhados. É de louvar essa boa vontade das pessoas
António Grilo
Diretor de serviços do Centro Social de Vieira de Leiria
Cozinhar “à luz das velas”
O edifício sede da Associação para o Desenvolvimento Social da Loureira (ADSL), na freguesia de Santa Catarina da Serra e Chainça, Leiria, onde funcionam uma creche e os serviços de apoio a idosos, sofreu alguns danos.
A reparação foi efetuada no sábado, mas, sem eletricidade, o centro de dia continuava encerrado na segunda-feira. Os utentes sem retaguarda familiar beneficiaram, contudo, da entrega de refeições ao domicílio, uma vez que a valência de apoio ao domicílio se manteve, explica Daniela Carvalho, diretora técnica da instituição. “Não conseguimos ligar aquecimentos e o elevador está fora de serviço, porque o gerador está a servir apenas a cozinha para podermos fazer as refeições”, acrescenta.
“Não parece que a luz venha tão depressa e, portanto, vamos, pelo menos esta semana, manter assim os serviços”, refere, adiantando que, até conseguirem um gerador e este começar a funcionar em pleno, confecionaram as refeições “à luz das velas”.
A funcionar com serviços mínimos, e com cerca de 50 utentes, as equipas passaram a fazer apenas uma volta, entregando o almoço e o jantar ao mesmo tempo.
Quanto ao lar do Centro Social Paroquial Santa Catarina da Serra, tem funcionado “dentro da normalidade”, explicou João Rito, presidente da Junta de Freguesia, adiantando ter sido necessário proceder ao reabastecimento de água e de gasóleo para o gerado