Paulo Vicente, presidente da Câmara da Marinha Grande, considerou hoje ser “inadmissível” a situação que se vive no concelho no que se refere ao ritmo de resolução das falhas no abastecimento de eletricidade. O autarca denuncia que o número de pessoas sem luz está a aumentar e não a diminuir.
“A resolução do problema da falta de energia, em vez de progredir, está a regredir. Já tivemos 16% de habitações sem energia no dia 6 de fevereiro e, neste momento, temos 27%. Isto é inadmissível”, afirmou o autarca da Marinha Grande na reunião do executivo que decorreu esta tarde.
A Marinha Grande conta-se entre os concelhos mais afetados pelos efeitos da depressão Kristin que, no dia 28 de janeiro, atingiu a região Centro. Numa altura em que abordava a questão dos trabalhos de recuperação, questionado pela oposição sobre a matéria, Paulo Vicente não poupou críticas à empresa responsável pela rede elétrica, lamentando a falta de informação.
“Estamos no terreno diariamente, de manhã à noite, a dar a cara pelo município e, muitas vezes, por entidades que não nos dão respostas, nomeadamente a E-Redes”, referiu, acrescentando: “Ainda hoje tive uma reunião, por telefone, com um responsável e disse que isto é inadmissível”.
Em suma, “temos uma empresa que não responde às situações e quem está a dar a cara no terreno somos nós”, reforçou.
Paulo Vicente lamentou ainda que exista a disponibilidade de equipas de engenharia dos Fuzileiros para realizar pequenas reparações na distribuição energética de baixa tensão, mas que estejam “praticamente impedidos” de o fazer, em virtude de a E-Redes não disponibilizar um técnico que, obrigatoriamente, os tem de acompanhar nessas reparações.
O autarca adiantou ter já contactado, hoje, o secretário de Estado da Energia para reportar a situação.
As declarações de Paulo Vicente reforçam a reivindicação que, em comunicado, na véspera, já tinha sublinhado.
No domingo, 8 de fevereiro, 27% dos clientes do concelho permanecia sem energia elétrica, o que representa 6.812 clientes ainda afetados. A 5 de fevereiro, encontravam-se cerca de 15% dos clientes do concelho sem eletricidade (aproximadamente 3.900 clientes), adiantava a nota municipal.
Estes números são superiores aos registados há três dias, “atingindo um nível considerado inaceitável, sobretudo porque existem zonas do concelho sem eletricidade há 12 dias consecutivos”, referia o presidente da Câmara, citado na mesma nota.