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Vigília: Centenas unem-se em Leiria em homenagem aos que morreram vítimas da tempestade

“Enquanto existir uma pessoa, um leiriense, que não tenha luz estaremos sempre na linha da frente para os ajudar a tentar repor aquilo que é uma normalidade mínima”, disse o presidente da Câmara.

FOTO: Joaquim Dâmaso

José Gomes e Marta Roberto, de 24 e 23 anos, estão entre as centenas de pessoas que na noite de segunda-feira, dia 9, se deslocaram à Fonte Luminosa, em Leiria, para uma vigília de homenagem aos que morreram na sequência do mau tempo.

“Nós viemos prestar uma homenagem às pessoas que, infelizmente, já morreram”, diz José Gomes. E acrescenta: “Também passámos por isto tudo, embora de momento sejamos uns privilegiados, vivemos aqui próximo do centro e já temos eletricidade e nunca nos faltou a água, mas infelizmente muita gente não tem”, acrescenta.

O jovem lembra-se de, naquela noite, ouvir o uivar do vento e coisas a partirem-se na rua. A sua casa não sofreu grandes estragos, apenas o carro que ficou com vidros partidos. “Mas é um dano material que não conta muito”, sublinha.

De velas nas mãos, considera que “Portugal está, neste momento, um caos” e, por isso, iniciativas como esta ajudam a unir a população.

Neste dia, o número de pessoas que morreram vítimas da tempestade, nomeadamente em trabalhos de reparação de casas e estruturas, aumentou para 16, depois da morte de um homem, de 37 anos, trabalhador da empresa Canas, enquanto reparava estruturas elétricas para a E-Redes.

No seu discurso, Gonçalo Lopes, presidente da Câmara de Leiria, começou por deixar “uma mensagem de conforto” às famílias das vítimas, em particular à deste trabalhador.

“Queria deixar uma palavra muito especial à família do funcionário que hoje faleceu na reposição de energia no nosso concelho, que morreu a fazer a sua missão”, disse o autarca, acrescentando que as pessoas que têm estado a trabalhar na reposição de eletricidade “têm sido autênticos heróis” e “têm trabalhado horas a fio”.

Na iniciativa, que começou por ser uma vigília solidária pela população sem eletricidade, mas depois, após a morte do trabalhador numa linha de média tensão, centrou as atenções nas vítimas da depressão Kristin, o autarca mostrou solidariedade para com todos os que continuam a viver sem eletricidade, sem comunicações e que “estão a sofrer como nunca sofreram antes”.

“Enquanto existir uma pessoa, um leiriense, que não tenha luz estaremos sempre na linha da frente para os ajudar a tentar repor aquilo que é a normalidade mínima”, sublinhou.

“Quem está no fim da linha atualmente são os que vivem longe da cidade”

Gonçalo Lopes agradeceu também a todos os voluntários que se têm dedicado a ajudar as pessoas afetadas, “muitos deles também com os telhados destelhados, porventura com o seu emprego em risco”, agradecimento que estendeu a todos os que, de diferentes partes do país, enviaram bens essenciais ou materiais de construção e se deslocaram ao concelho para ajudar a reparar os danos causados pelo vendaval.

Para o presidente da Câmara de Leiria, neste momento, “as pessoas que mais necessitam são pessoas especiais, são aquelas que estão longe da cidade, é o idoso que está isolado, é a pessoa com menos recursos”. O autarca considera que, embora esta tempestade tenha afetado toda a gente, “quem está no fim da linha atualmente são os que vivem longe da cidade, no meio florestal e agrícola”.

Mas Gonçalo Lopes quis deixar ainda uma mensagem para o futuro: “A luz há-de chegar e nós vamos reerguer Leiria com toda a determinação e força, com união e esforço coletivo”.