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Quinta da Chumbaria acordou em cenário que “parecia o apocalipse”

Três semanas após a passagem da tempestade, o REGIÃO DE LEIRIA foi perceber como é que os responsáveis de negócios de proximidade viveram aquela madrugada e os dias que se seguiram.

Sarah e Steve McGuinness na casa onde os voluntários da Quinta da Chumbaria ficavam alojados FOTO: Joaquim Dâmaso

A vida de Sarah e Steve McGuinness tem sido uma verdadeira montanha russa desde que chegaram, em 2019, à localidade de Chumbaria, nas Colmeias, e a tempestade Kristin foi mais um golpe duro. O casal de imigrantes do Reino Unido escolheu Portugal e o concelho de Leiria para construírem um refúgio que seria não só seu, mas também de turistas e da comunidade envolvente.

O sonho tornou-se realidade há 16 meses, quando a Quinta da Chumbaria abriu ao público e recebeu mais de 500 hóspedes na casa principal. A aldeia tem 10 edifícios, entre habitações, celeiros e armazéns e o casal vive numa das casas já restaurada. Há uma outra reservada para os voluntários que vêm de todo o mundo ajudar a cuidar da natureza que envolve o oásis situado a 20 minutos de Leiria, onde se vive sob os conceitos da permacultura – cuidar da terra e das pessoas.

Até chegarem aqui, Sarah e Steve superaram os incêndios de 2022, que começaram na Caranguejeira e se estenderam à Chumbaria, consumindo as 150 árvores que o casal tinha passado os anos anteriores a plantar. Neste período passaram ainda por momentos difíceis no que diz respeito à saúde e também à família.

Depois do sucesso com o turismo rural, este seria o ano em que iriam melhorar as condições na casa destinada aos voluntários. Mas tudo mudou na madrugada de 28 de janeiro.

Steve foi o primeiro a acordar, cerca das 4h25, com o som do vento. Já não havia luz na casa e tentou procurar uma lanterna. “O vento estava a ficar muito forte. A Sarah já estava acordada e os nossos cães tremiam”, conta ao REGIÃO DE LEIRIA. E acrescenta: “O barulho piorou e começámos a ouvir as telhas a saírem do telhado, a partirem-se, e foi ficando cada vez pior até parecer que estávamos dentro de uma máquina de lavar”.

O casal e os quatro cães esconderam-se na cave e foi quando ouviram “o maior estrondo”. “Nesse momento soubemos que o carvalho ancestral tinha caído e, por milagre, passou a um palmo da nossa casa”, descreve.

Esperaram até cerca das 7h30 e a luz do dia pôs a descoberto algo que seria pior do que aquela terrível noite. Havia telhas e outros destroços por toda a parte. Numa primeira reação pensaram “não temos negócio” – o edifício principal tinha danos significativos no telhado, uma das grandes janelas partidas e outros prejuízos. Depois, perceberam que não poderiam receber voluntários para os ajudar a recuperar a natureza em redor, uma vez que a casa onde eles ficavam hospedados estava também com grandes estragos.

Por fim, também a oficina, onde guardavam as máquinas de trabalho, tinha perdido o telhado o que os deixava sem sítio seguro onde guardar os bens que agora estavam à mercê das intempéries. “Para onde quer que olhássemos, parecia o apocalipse”, afirmam.

O primeiro trabalho foi tapar as entradas de água no edifício principal e na casa de ambos, mas a chuva não dava tréguas e os edifícios continuaram a inundar-se. A falta de eletricidade também impedia a continuidade dos trabalhos e mesmo manterem-se quentes em casa ou fazer qualquer tipo de limpeza se tornou impossível.

“O grande problema para nós é que não só estamos a perder rendimento, que é realmente valioso porque sem ele não conseguimos iniciar as obras de restauro, como não podemos receber voluntários, devido aos danos no seu alojamento, para nos ajudarem a regenerar a terra”, explica Sarah.

Para relançar o negócio, o casal está a promover uma angariação de fundos online para juntar verba para as obras no edifício principal, que recebe turistas (https://bit.ly/4kIrAjl).

Apesar das dificuldades das últimas semanas, sublinham a ajuda preciosa da comunidade local e vão repetindo que “há sítios piores do que o nosso”.


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