É um efeito da tempestade de 28 de janeiro e do seu impacto na região: a reconstrução e futuras construções de escolas vão inspirar-se em métodos utilizados por países com experiência a enfrentar fenómenos extremos, como ventos ciclónicos.
A medida foi anunciada por Fernando Alexandre, ministro da Educação, Ciência e Inovação, esta tarde, em Leiria. “Não há desculpas” para deixar de reforçar a construção das escolas, adaptando-as às novas condições meteorológicas extremas, salientou. “Não podemos simplesmente pensar na recuperação das escolas como pensámos antes da tempestade”, sublinhou, na sua intervenção na conferência “O Futuro Pós-Calamidade”, organizada pelo REGIÃO DE LEIRIA .
Na prática, Fernando Alexandre defendeu ser necessário “pensarmos em modelos de construção de países que já têm estado expostos a estes eventos há muito tempo”, assegurando “estruturas que resistem a ventos de 200 km/h”.
O reforço da capacidade das escolas para enfrentar cenários adversos surge numa altura em que Portugal tem “em curso, ou previstos, até ao final da década, investimentos de mais de 1550 milhões de euros em quase 400 escolas de todo o país”.
As intervenções de reforço da resistência devem ocorrer não só nesta região atingida, mas também no resto do país, para que, “se houver uma tempestade deste tipo, não voltemos a ficar com uma escola inoperacional porque não resiste a estes ventos”, salientou.
O governante admitiu que esta resistência já poderia ter sido equacionada, mas sublinhou que “depois deste evento não há desculpa se voltarmos a ter uma escola nesta região que foi intervencionada neste período e cujo telhado voe outra vez”.
O Governo tem estado em conversações, sobretudo, com os presidentes das câmaras de Leiria e da Marinha Grande — concelhos cujas escolas foram mais afetadas pela tempestade — para redesenhar projetos já existentes, como o da Escola Secundária José Loureiro Botas, em Vieira de Leiria, no concelho da Marinha Grande.
“Tínhamos este investimento previsto, a câmara já tinha projeto e estava pronto para ir a concurso público. Mas já falei com os dois presidentes”, adiantou Fernando Alexandre.
Segundo explicou o ministro, o primeiro aviso do empréstimo do Banco Europeu de Investimento (BEI) terminou agora para as escolas de prioridade um (P1), mas os projetos poderão ser ajustados para integrar “estruturas que se tornem mais resilientes”.
“O aviso dois, que terminava em junho, estamos a discutir com a área da Coesão uma proposta para termos várias fases” e permitir que “escolas propostas pelas autarquias, onde estavam previstas as P2, possam alterar as propostas que tinham e introduzir critérios de majoração para a resiliência da rede”, acrescentou, sublinhando a necessidade de reforçar essa dimensão.
Fernando Alexandre observou ainda que “as infraestruturas escolares, se forem bem construídas, podem ser lugares de abrigo para a população” e não são apenas garantia de que as aprendizagens não são interrompidas.
Para o governante, as escolas têm de “ser resilientes às tempestades, mas também a sismos e a incêndios”. Ainda assim, defendeu equilíbrio: “não podemos construir bunkers”.
Um tempo de incerteza e uma nova universidade a caminho
Na sua intervenção, o ministro sublinhou ainda que o aumento da incerteza global — alimentado por crises financeiras, mudanças tecnológicas, tensões geopolíticas e fenómenos climáticos extremos — tornou o mundo “um lugar mais difícil do que era há 20 ou 30 anos”.

Perante esse cenário, defendeu que a resposta passa por reforçar o investimento em conhecimento: “vamos precisar cada vez mais de mais educação, de mais conhecimento, de mais tecnologia, de mais inovação”, não apenas para compreender a complexidade, mas também para responder a problemas cujas soluções são exigentes e demoradas, num contexto onde o populismo tende a oferecer respostas simplistas.
Num segundo eixo, destacou a necessidade de preparar a sociedade — desde os cidadãos às instituições — para lidar com a adversidade crescente. O governante defendeu o reforço da resiliência, incluindo no sistema educativo, com o desenvolvimento de competências que permitam reagir a crises sem pânico, num mundo onde eventos extremos serão mais frequentes.
“Temos de preparar individualmente cada cidadão para isso”, afirmou, sublinhando também o papel do Estado na proteção face a riscos, ainda que reconhecendo os limites dessa preparação: “nenhum país está preparado para uma coisa como a que aconteceu”.
Defendendo que o investimento na educação e no conhecimento é fulcral para enfrentar os novos tempos, Fernando Alexandre manifestou confiança no papel da futura Universidade de Leiria e Oeste — resultante da reconversão do Politécnico de Leiria. Indicou ainda que o processo já ultrapassou todas as etapas, aguardando apenas aprovação em Conselho de Ministros, sendo a sua criação “anunciada a seu tempo”.