O presidente da Associação Interprofissional de Horticultura do Oeste queixou-se na sexta-feira, dia 17, dos atrasos no pagamento dos apoios aos agricultores cujas explorações foram afetadas pelo mau tempo de janeiro e fevereiro.
Segundo Sérgio Ferreira, o pagamento dos apoios até 10 mil euros “correu bem, mas os agricultores que fizeram candidaturas a apoios que ultrapassam esses montantes não receberam qualquer pagamento, estando a endividar-se junto da banca para conseguir repor estufas e outras estruturas e para voltar a produzir”.
O vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) de Lisboa e Vale do Tejo (LVT), com a pasta da agricultura, José Bernardo Nunes, esclareceu que as candidaturas para a reposição do potencial produtivo decorrem até ao final deste mês, motivo pelo qual “só vão ser analisadas” depois desse prazo.
O responsável admitiu “atrasos” nas restantes candidaturas “por serem muitas”.
À CCDRLVT foram submetidas 2301 candidaturas aos apoios simplificados até 10 mil euros, totalizando um montante de 163,3 milhões de euros.
A maioria dos apoios foi para fazer face a estragos em armazéns e outras construções (90,1 ME), seguindo-se as culturas permanentes (41,2 ME), culturas temporárias (17,9 ME) e máquinas e equipamentos (12,6 ME).
José Bernardo Nunes adiantou que já 201 candidaturas, no montante de 1,7 ME, foram enviadas para pagamento, tendo sido pagos 1,5 ME relativos a 175 candidaturas.
O presidente da AIHO alertou ainda para o “aumento do preço dos combustíveis e dos fertilizantes”, que se verificou em 2022 com o início do conflito entre a Rússia e a Ucrânia e que voltou a registar-se com o conflito no Médio Oriente.
“É mais uma pressão para o setor e é preciso fazer mais porque é muito complicado produzir nestas condições”, disse.
A região Oeste produz mais de metade dos produtos hortícolas nacionais, exporta 2,4 mil milhões de euros em frutas, hortícolas e flores, dos quais 600 milhões de euros só com os produtos hortícolas.