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Câmara da Nazaré confirma nova descarga de efluentes para o mar

O escorrimento terá durado “cerca de duas a três horas” e resultou de “um entupimento das condutas de águas residuais”.

A descarga aconteceu junto ao Porto de Abrigo da Nazaré FOTO: Arquivo/Joaquim Dâmaso

Um entupimento das condutas de águas residuais provocou um escorrimento de efluentes para o mar, confirmou hoje a Câmara da Nazaré, assegurando que a situação está a ser resolvida e não obriga à interdição de banhos.

A descarga de efluentes diretamente para o mar, junto ao Porto de Abrigo da Nazaré, “foi detetada no domingo de manhã e foi de imediato deslocada uma equipa para o local”, disse hoje à agência Lusa o vice-presidente da Câmara da Nazaré, Miguel Sousinha (PSD).

De acordo com o também presidente do Serviços Municipalizados da Nazaré (SMN), o escorrimento que terá durado “cerca de duas a três horas” resultou de “um entupimento das condutas de águas residuais” que provocou o escoamento “através desta conduta, conhecida em hidráulica como ‘ladrão’, que existe em todos os sistemas para evitar que em caso de entupimento o esgote volte para trás e entre nas casas das pessoas”.

A descarga foi detetada e denunciada nas redes sociais por um popular, que disse à agência Lusa que “a situação já se arrastava há quase dois meses”.

Miguel Sousinha admitiu a possibilidade de “ter havido aqui algum entupimento temporário [antes de domingo], mas não pode ter sido dois meses, porque, se assim fosse, tinham-nos feito chegar qualquer reclamação”.

O vereador afirmou ainda que a equipa deslocada para o local “verificou todas as condutas” e que hoje “uma empresa externa está a proceder à limpeza das condutas, no âmbito das limpezas programadas para os coletores de esgotos” da vila.

“Como é normal em zonas marítimas, os coletores apanham muitas areias e têm de ser limpos esporadicamente”, explicou.

De acordo com o mesmo responsável, esta descarga não teve qualquer relação com as duas descargas de efluentes que levaram à interdição da praia da Nazaré a banhos, em agosto do ano passado, e que levaram mais de uma centena de pessoas a serem assistidas devido à contaminação da água.

Em março deste ano, o município avançou com um intervenção de substituição de condutas de saneamento na marginal e na zona mais antiga da vila, para evitar a repetição de entupimentos na rede envelhecida e sujeita a forte pressão, sobretudo em períodos de maior afluência.

Uma intervenção é necessária também na parte sul da vila onde “terá de ser feito todo um novo sistema de saneamento da Marginal da Nazaré, o que, quer em termos de custo, quer em termos de tempo, será uma obra com alguma envergadura, para a qual o município neste momento não está capacitado financeiramente”, já que a intervenção, “em termos de águas residuais e pluviais está avaliada acima dos 50 milhões de euros”, explicou o vice-presidente.


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