Um texto de Oscar Wilde foi a premissa para a reflexão, “a matriz para a procura do conflito e análise dramatúrgica”, que deu origem a “O Amigo dedicado”, a 123ª produção do Te-Ato, estreada a 31 de maio, “com sala esgotada” e “feedback muito positivo e atento dos espetadores” que, desde a primeira apresentação, têm “sugerido a outros que não percam a oportunidade de assistir”, contam o encenador João Lázaro e a produtora Inês Ferreira.
A peça, nascida no âmbito de uma formação contínua de atores, vai buscar o nome a esse texto de Wilde, que entrou pelos ensaios adentro, sobressaltando com uma questão:
“Quisemos, perguntar o significado atual da palavra ‘Amigo’, escrita com maiúscula e tão diferente dos ‘amigos-outros’, que alguns contam sem fim”.
O grupo de teatro de Leiria inspirou-se também nas palavras de José Tolentino de Mendonça: “Muitas formas de proximidade não passam de prepotência sobre os outros, exercício perturbado de poder, como se os outros fossem propriedade nossa”.
E as composições musicais de Miguel Samarão funcionaram como “tela sonora a partir da qual se desenvolveu o trabalho de encontro do recorte dos atores”, explicam ambos.
O resultado é uma peça que traz, à adaptação feita a partir do texto de Oscar Wilde, “palavras-chave como Amigo, Sensualidade, Partilha, Proteção, Narcisista”.
“Na adaptação a que nos atrevemos, um dos personagens afirma sempre convicto: ‘Eu sou o seu amigo’. Outro dos personagens e a seu modo diz: ‘Ele é o meu Amigo’”. É a amizade percecionada de modo diferente por dois protagonistas. “Tentámos a evocação e a ressonância emocional de cada espectador por cada vez que terá saboreado diferentes relações de amizade”.
A próxima apresentação de “O amigo dedicado” é já na sexta-feira, dia 19 (21h30). A peça volta a palco nos dias 17 (21h30) e 19 (16h) de julho, sempre no espaço do Te-Ato, a Sala Jaime Salazar Sampaio. A reserva de bilhetes pode ser feita pelo e-mail palco@teato.pt.