Quatro dezenas de bombeiros da corporação da Nazaré depuseram os capacetes esta terça-feira numa ação de protesto em que exigem a demissão do presidente da direção da associação humanitária, que acusam de pressões e diferenciação entre operacionais.
“A nossa posição é clara e específica: perdemos a confiança no atual presidente da direção”, explicam os bombeiros numa carta publicada nas redes sociais, para justificar junto da população o protesto que está a decorrer desde o final da tarde, quando perto de 40 bombeiros depuseram os capacetes no muro do quartel, exigindo a demissão do presidente da direção, José Sales.
No texto, os bombeiros afirmam que “durante demasiado tempo” tentaram “resolver internamente” a situação que levou “mais de 88% dos bombeiros a manifestarem a sua falta de confiança na atual liderança”.
A maioria dos bombeiros “está cansada, está magoada e sente que não está a ser ouvida”, pode ler-se na missiva em que denunciam “situações de diferenciação entre bombeiros, interferências em matérias que entendemos dever respeitar as estruturas e competências próprias do funcionamento operacional, pressões e conflitos internos que acabaram por colocar pessoas umas contra as outras, funcionários e bombeiros que se sentiram pressionados, atitudes e expressões que fizeram muitos sentir que questionar, discordar ou simplesmente não concordar poderia ter consequências, e a sensação, cada vez mais presente, de que determinadas vontades pessoais se sobrepõem àquilo que é melhor para o funcionamento da instituição”.
Os bombeiros exemplificam com problemas como, na sequência de um acidente e de uma avaria numa ambulância, ter-se “chegado ao ponto de os bombeiros da Nazaré terem de recorrer ao empréstimo de uma ambulância de outra corporação para conseguirem continuar a garantir o socorro à população”.
Na publicação, os bombeiros deixam claro estar “com o comandante [da corporação]” e acreditar “na estrutura de comando, nas competências de quem tem a responsabilidade operacional e em quem diariamente tem de tomar decisões perante situações que não podem esperar”.
“É precisamente por acreditarmos no nosso Comandante que não podemos aceitar que a sua vontade de trabalhar, as suas necessidades operacionais e aquilo que entende ser melhor para o funcionamento do Corpo de Bombeiros sejam constantemente colocados em segundo plano perante as vontades do presidente da Direção”, acrescenta o texto, em que os operacionais exigem respeito pelas funções e competências dos diferentes órgãos.
Convictos de que a” instituição não pode continuar a ser conduzida ignorando a vontade expressa da esmagadora maioria daqueles que diariamente a constroem”, os bombeiros exigem que o presidente da direção apresente a sua demissão.
Contactado pela Lusa, o presidente da direção, José Sales, confirmou que o assunto será analisado numa reunião marcada para as 21 horas de hoje com o presidente da Câmara da Nazaré, Serafim António, ao qual “já tinha comunicado a minha disponibilidade para pedir a demissão, o que torna estranho a necessidade de realizarem este protesto”.
José Sales acrescentou que na mesma reunião irá “entregar ao presidente um dossiê expondo várias situações, muito graves, que acontecem no quartel dos bombeiros” e documentação que “refuta as acusações” do corpo de bombeiros.
O protesto dos bombeiros vai manter-se até serem conhecidos os resultados das reuniões com o executivo, mas fonte dos bombeiros disse à Lusa que o socorro à população continuará a ser prestado, apesar da deposição dos capacetes.