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Gárgulas da Torre do Tombo inspiram arranque do Cistermúsica Fronteiras em Alcobaça

Mário Marques, natural de Alcobaça, assume o papel de solista no projeto, articulando diferentes perspetivas sobre memória, expressão e transformação artística.

Montagem com o retrato de um homem a segurar saxofones, à esquerda, e uma escultura de pedra numa fachada, à direita. Não há texto visível que permita identificar a pessoa ou o local.
Mário Marques é o solista neste espetáculo com a Orquestra Metropolitana de Lisboa. O programa a apresentar domingo, dia 25, no Panorama, em Alcobaça, explora os opostos e contradições de quatro gárgulas desenhadas e esculpidas por José Aurélio para a Torre do Tombo

Inspirado no conjunto escultórico concebido por José Aurélio em 1990 para a Torre do Tombo, em Lisboa, o encontro entre a música e a escultura marca o concerto “Gárgulas – Quatro painéis para um templo da memória”, que estreia domingo, 25 de outubro (18h, 12 euros, M6) no multiusos Panorama, em Alcobaça.

A proposta que abre o Cistermúsica Fronteiras, junta o saxofonista Mário Marques e a Orquestra Metropolitana de Lisboa, sob direção de Pedro Amaral.

A partir de quatro das oito gárgulas criadas pelo escultor de Alcobaça – “O Novo, o Velho e a Morte”; “A Tragédia e a Comédia”; “O Bem e o Mal”; e “A Guerra e a Paz” -, desenha-se um concerto onde “a música age como a escultura: expulsa o supérfluo para deixar ver a forma”, salienta a organização.

As obras de Aurélio evocam temas da história, “como se esta fosse construída precisamente destas forças contrárias”.

Daí que o programa seja constituído por universos sonoros distintos: a “Sarabande” de Debussy orquestrada por Ravel e a dupla máscara de César Rafael em “The View from Halfway Down”; “Alla Valse viennese (allegro)” e “Alla Tarantella (prestissimo con fuoco)” de Erwin Schulhof; “Profondo Abissi” de Nelson Jesus; e “Gymnopédie nº 3”, de Satie, orquestrada por Debussy, e “Concertino para Saxofone”, de António Victorino d’Almeida.

Mário Marques, também natural de Alcobaça, assume neste projeto papel central, articulando, enquanto solista, obras do repertório clássico e moderno com novas criações de compositores portugueses, explorando diferentes perspetivas sobre a memória, a expressão e a transformação artística.

Homenagem a Cargaleiro

O segundo de cinco concertos do Cistermúsica Fronteiras está agendado para 1 de novembro e celebra a obra do mestre Cargaleiro, pintor e ceramista.

O Lontano Trio (saxofones, acordeão e contrabaixo) apresenta no Celeiro do Mosteiro de Alcobaça “Do barro ao som”, composto por composições contemporâneas originais: Ana Roque, Gonçalo Lourenço, Sara Carvalho, Tiago de Sousa Derriça e Carlos Marecos investigaram e escreveram a partir da obra de Cargaleiro.


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