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Conta-me coisas…: Pouco esclarecidas

Há certas coisas que ficam sempre pouco esclarecidas, não sei se de propósito.

Carlos-silva
Carlos Silva, diretor do ISLA carlos.silva@unisla.pt

Há certas coisas que ficam sempre pouco esclarecidas, não sei se de propósito. A liderança russa apresenta-se ora conciliadora e apaziguadora, ora defensora de uma certa autodeterminação e disposta a defender alterações relativamente profundas na relação internacional de poderes. Na recente tensão a leste, se olharmos para a geografia encontramos algumas respostas. Do lado do interesse puro do Estado russo encontramos outras. No âmbito da projecção mediática da liderança ainda mais. Na necessidade de criar espaço delimitando capacidades estratégicas ainda outras. A história recente explica tantas outras vertentes também. E as influências e geografias mudam já que o tempo em que as realidades acontecem também é calculado. E lado da Ucrânia esgrimem-se vontades tão idênticas centradas em tabuleiros de xadrez igualmente complexos. De todos os lados surgem peões que localmente ascendem ou querem ascender à realeza. E peões que mudam de cor no tabuleiro. Contam-se os cavalos, chamam-se os bispos que teimam em estar atrás dos peões. Posiciona-se o tabuleiro. E reposiciona-se. O tabuleiro é tão diferente de jogada para jogada. E procura perceber-se quem comanda o jogo. E o tabuleiro esconde quem comanda. Ah! E faltam as torres. As torres são parte de fortes e redutos europeus que afinal não são mais do que castelos de cartas neste jogo da influência internacional.

Escrito de acordo com a antiga ortografia

(texto publicado na edição de 15 de maio de 2014)