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Crónica irregular: Porque vou votar

“Uma das razões porque detesto Salazar é porque não podia votar”, disse-me recentemente a minha mãe.

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Amélia Torres, membro do grupo de apoio da Comissão Europeia a Portugal

“Uma das razões porque detesto Salazar é porque não podia votar”, disse-me recentemente a minha mãe. Vem-me isto à memória numa altura em que ainda se comemoram os 40 anos do 25 de Abril e se aproximam as eleições para o Parlamento Europeu. Não esqueço também que 10 anos antes do Euro, quando procurei comprar casa em Lisboa, a inflação e as taxas de juro andavam nos 20%. Este último aspeto, para dizer que a adesão à União Europeia e a adoção do euro trouxe­ram-nos muitos benefícios que as dificuldades presentes não podem obscurecer. Era fácil de ver quando as centenas de milhões de euros dos fundos estruturais serviam para criar uma das melhores redes de estradas na Europa, escolas e outras infraestruturas. E quando o crédito abundante e barato permitiu a compra de casa, pela primeira vez, a muitas famílias. A crise da qual estamos a sair gradualmente veio recordar que o Euro requer finanças públicas sãs e a competitividade da nossa economia. A moeda única tem isto de bom que obriga políticos e empresas a tomarem as decisões certas. Para beneficiar de preços estáveis e taxas de juro propícias à criação de emprego. E é por isso que vou votar nas europeias. Porque é um direito precioso e é meu dever contribuir para uma boa governação.

(texto publicado na edição de 15 de maio de 2014)