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Margem esquerda: Uma questão de confiança

Ao fim de sete meses e meio, Hélder Roque teve a confiança do Governo para gerir o hospital Leiria-Pombal. Se outro exemplo não houvesse, bastava este para mostrar que confiança política gera ineficiência. É certo que, entretanto, se “meteram as eleições” como se “metem” os fins-de-semana e os feriados sempre que precisamos de uma desculpa para procrastinar.

Adérito Araújo, professor universitário aderito.araujo@gmail.com

Ao fim de sete meses e meio, Hélder Roque teve a confiança do Governo para gerir o hospital Leiria-Pombal. Se outro exemplo não houvesse, bastava este para mostrar que confiança política gera ineficiência. É certo que, entretanto, se “meteram as eleições” como se “metem” os fins-de-semana e os feriados sempre que precisamos de uma desculpa para procrastinar.

É vergonhoso o fascínio luso pelos cargos de confiança política! A cultura dos “jobs for the boys” está tão enraizada, que achamos normal os partidos organizarem-se ao melhor estilo mafioso e desvalorizamos frases como a que o presidente da C.M. de Pombal usou para justificar a nomeação de João Vila Verde para gerir o gabinete de divulgação de cursos da escola profissional de Pombal, em 2009: “se não ajudarmos as pessoas amigas, mal vai a nossa sociedade”. De ajuda em ajuda, o famoso “boy” pombalense é hoje project manager da Terras de Sicó. Quase ao nível do Armando Vara! É que, nestas coisas, PS e PSD são como Dupont e Dupond.

Somos um país com um grave problema de confiança interpessoal. Como desconfiamos de todos, procuramos refúgio num sistema altamente burocrático, terreno fértil para o clientelismo e a corrupção. Cabe-nos a todos denunciar as “famílias”, os “padrinhos”, as “capelinhas” e restaurar a confiança no país (alguma vez a tivemos?) e em cada um dos nossos concidadãos.

(texto publicado na edição em papel de 2 de Dezembro de 2011)