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Margem esquerda: Vitória sem mérito

O RL publica hoje os resultados de um passatempo onde perguntou aos leitores qual o melhor presidente de câmara do seu município.

Adérito Araújo, professor universitário aderito.araujo@gmail.com

O RL publica hoje os resultados de um passatempo onde perguntou aos leitores qual o melhor presidente de câmara do seu município. Os pombalenses que participaram (eu não o fiz) tiveram que optar entre cinco personalidades. Não conheço os resultados, mas posso assegurar que o vencedor não merece o título conquistado. Justifico com dois argumentos.

A gestão municipal em Pombal foi sempre marcada pela completa ausência de instrumentos de planeamento. Os principais aglomerados urbanos do concelho continuam sem Planos de Urbanização e de Pormenor que garantam o interesse público e tornem transparentes as opções de desenvolvimento e ordenamento urbanístico. Na falta desses instrumentos, os sucessivos executivos têm navegado à vista, favorecendo clientelismos e esbanjando o nosso dinheiro de forma displicente.

As políticas ambientais nunca foram uma prioridade. Pombal vive a situação terceiro-mundista de menos de 60% do concelho possuir rede de saneamento básico. Os canos não se veem, não permitem a colocação da típica placa que enaltece o ego, e as obras, registadas nas intenções, ficam esquecidas nas conclusões.

Para ser justo, tenho que prestar homenagem a Joaquim Almeida, presidente entre 1979 e 1982. Por ingenuidade ou coerência, foi a votos com a cidade toda esburacada pelas obras de saneamento. Perdeu, obviamente! Assim como, de certeza, também não ganhou hoje.

(texto publicado na edição em papel de 27 de abril de 2012)