Consta que o primeiro-ministro terá dado um valente puxão de orelhas à ministra da saúde na última reunião no Infarmed, com o descontrolo da pandemia na área de Lisboa em cima da mesa.

Desconfortável com a resposta da Direção Geral de Saúde a este permanente foco de infeções em Lisboa, ter-se-á irritado com a referência da ministra ao confinamento no Norte do país no início da pandemia, interrompendo-a com um seco e exaltado “esse discurso não é útil”.

O incidente tornou-se público rapidamente. Confrontada pelos jornalistas, a ministra, numa declaração tão insólita quanto reveladora de todas as suas fragilidades, assinou a sua própria sentença de morte política: “se o primeiro-ministro puxou as orelhas à ministra é porque teve certamente razão”!

Com evidentes dificuldades em enfrentar o foco infecioso instalado na grande Lisboa – que tem a ver com condições de vida das populações mais desfavorecidas, como se vê nos transportes que têm de utilizar, e nas condições ultra miseráveis dos bairros que têm de habitar, de responsabilidade transversal a todo o governo e, mais, a todos os governos – e acossada por um secretário de Estado que quer ser ministro, a ministra entrou também ela nos cuidados intensivos. Valem-lhe dois ventiladores: a saída recente de Mário Centeno, que tapa, por enquanto, o espaço de substituição de qualquer ministro; e a velha regra militar de que se não substituem generais a meio da guerra.

Mas, para gáudio do aspirante a ministro, Marta Temido é, como foi há três anos Constança Urbano de Sousa, nos incêndios de 2017, uma simples e curta questão de tempo…

(Artigo publicado na edição de 2 de julho de 2020 do REGIÃO DE LEIRIA)