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Partilhando: Pensar ao Contrário

Teremos a capacidade e a audácia de gerar ideias, novos conceitos ou modelos de negócio, invertendo paradigmas e dogmas, simplesmente pensando ao contrário?

Cristina Barros, professora do IPLeiria e presidente da Incubadora D. Dinis cristinabarros.rl@gmail.com

Teremos a capacidade e a audácia de gerar ideias, novos conceitos ou modelos de negócio, invertendo paradigmas e dogmas, simplesmente pensando ao contrário?

O escritor Paul Arden, no seu livro “Whatever You Think, Think the Opposite”, (na edição brasileira, “Tudo o Que Você Pensa, Pense o Contrário”), provoca-nos constantemente a ver que decisão adotar, qual a ideia mais interessante, a perceber que a solução ganhadora não é aquela que, à primeira vista, nos parece mais segura, certa, viável ou adequada.

Em 1968, nos Jogos Olímpicos do México, o atleta de salto em altura Dick Fosbury decidiu aproximar-se da barra inclinando as costas sobre ela , contrariamente ao método que era então usado, em que os atletas saltavam com o corpo inclinado para a frente. Fosbury saltou mais alto que qualquer homem à epoca, estabeleceu o record mundial e foi campeão olímpico. Este método, ainda hoje usado, ficou conhecido pelo “Salto de Fosbury”. Este estilo só foi possível porque o pavimento onde caíam os atletas foi substituído por uma espécie de colchão que permitia aos saltadores caírem sem se magoarem. Fosbury apercebeu-se dessa mudança e inventou um novo estilo.

A obra de Marcel Duchamp revolucionou a arte contemporânea, tendo sido um dos artistas mais influentes do século XX através da invenção do ready-made, um género artístico que consiste em atribuir o estatuto de arte a objetos comuns do dia-a-dia, retirando-lhes a sua função original. Uma das obras mais emblemáticas é o urinol, sobre o qual o artista aplicou três alterações para o elevar ao estatuto de arte: colocou-o sobre uma base, assinou-o, datou-o e colocou-o numa exposição de arte contemporânea. Para Duchamp, um objeto é reconhecido acima de tudo pelo seu contexto e é percebido de forma diferente, em ambientes diferentes.

Muitos outros exemplos poderia apontar sobre aqueles que tiveram a audácia de pensar ao contrário, sem medo de expor as suas ideias, e que criaram um novo estilo, vanguarda, mercado ou uma nova era. Se notarmos, muitas das invenções que hoje temos resultaram deste pensamento.

Acredito verdadeiramente que a criação de novo conhecimento numa organização está diretamente relacionada com a capacidade dos empreendedores não imporem limites e barreiras, mesmo não tendo certezas. Tendo sim a audácia de “ver o que não é visível aos olhos” e de pensar ao contrário.

(texto publicado na edição de 4 de julho de 2013)