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Play it, Sam: O amor acontece (parte II)

Esta semana continua a ingrata tarefa de listar grandes filmes de Amor.

João Melo Alvim, advogado jmalvim@gmail.com

Esta semana continua a ingrata tarefa de listar grandes filmes de Amor.

Relembro clássicos como “Anna Karenina”, “Esplendor na Relva” ou “Dr. Jivago” mas prefiro regressar a anos mais recentes. E tenho de referir “A Paixão de Shakespeare” de John Madden, filme que, apesar de ser um dos Óscares de Melhor Filme mais injustos da história (este tema terá a sua própria crónica), não deixa de ser uma inteligente mistura de comédia e romance. Isto porque há pérolas que fogem ao convencional desfecho trágico: “Um Amor Inevitável” de Rob Reiner, que nos legou o orgasmo fingido mais memorável do cinema. E ainda nesse registo, mas não de forma tão marcante, relembro “Uma Mulher de Sonho”, “Feliz Acaso” e os britânicos “Quatro Casamentos e um Funeral” e “Notting Hill”. Elevando a fasquia e voltando ao amor intenso e de desfecho infeliz, “O Amor é um lugar estranho” de Sofia Coppola e “Disponível para amar” de Wong Kar-Hai, são duas obras-primas a (re)ver. Termino com “Antes do Amanhecer” e “Antes do Anoitecer”, sendo o primeiro, para mim, o “Casablanca” da minha geração. Muito raramente vi tanta simplicidade dar origem a uma história de amor com que tanta gente se identificasse. Sem grandes dramas que não apenas os medos e as ânsias de pessoas normais, não é difícil para qualquer um rever-se em Jessie ou Celine e de, pelo menos, uma vez desejar ter um dia que valha uma vida. É essa magia que encontramos, por exemplo, na cena dos beijos de “Cinema Paraíso”, que o cinema, quando quer, nos dá. E nós agradecemos… embevecidos.

(texto publicado na edição em papel de 2 de Dezembro de 2011)