Projecto inovador “made in Leiria” usa tecnologia para vigiar estado de saúde e ligar idosos em rede. Já há autarquias da região interessadas em aplicar esta tecnologia.

Não é necessário saber ler ou escrever para usar este sistema inovador desenvolvido em Leiria - Ilustração: PRIS

Imagine: um idoso que vive sozinho em casa. Ou quase. Afinal, tem ao seu dispor um sistema que alerta para a necessidade de tomar aquele comprimido essencial. O toque num só botão, coloca-o em contacto com amigos, familiares ou profissionais de saúde em jeito de videoconferência.

Pouco importa se o idoso sabe ler ou escrever, se tem competências na utilização das tecnologias de informação e comunicação (TIC), a aplicação permite a constante monitorização das condições de saúde e avisa os familiares caso algum parâmetro  resvale para valores anormais. Carregar num simples botão ou gritar por socorro,  acciona os meios de auxílio, mas mesmo que tal não aconteça, se necessário, o próprio sistema automaticamente destaca uma ambulância para o local. Ficção? Nem tanto. O sistema chama-se “+apoio” e  está em fase de implementação.

A ideia surgiu em 2006, em Leiria, explica António Pereira, o docente que, em conjunto com outro colega, lançou o desafio a alunos de Engenharia Informática da Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG) de Leiria para que dessem os primeiros passos nesta área.

Desde então, o Centro de Investigação em Informática e Comunicações da ESTG, em parceria com o INOV, Inesc Inovação, sob orientação científica de António Pereira, tem vindo a desenvolver diversos trabalhos na área da Gerontecnologia. “Pretendíamos usar as TIC para atenuar as preocupações que temos com os nossos familiares idosos,  fazendo-os sentir melhor, mais próximos e menos sós, e que eles sintam estas condições de melhoria no seu meio, que é a sua casa”, refere António Pereira. Por outras palavras, a plataforma pode ajudar a evitar, ou pelo menos adiar, o internamento de idosos em lares.

O primeiro passo foi o desenvolvimento de um protótipo mais direccionado para a  vertente física, incluindo a monitorização de parâmetros vitais com especial incidência para a detecção de quedas graves e consequente alerta de familiares e entidades de socorro. Enquadrado com a iniciativa “Vivência e-Séniores” dinamizada por José  Tribolet, professor do Instituto Superior Técnico, avançou o reforço da componente social do projecto apontando para o prolongamento da vida activa da população sénior bem como o combate à solidão.

A arquitectura do sistema, já premiada internacionalmente, entende a simplicidade como pedra de toque. Uma das possibilidades passa pelo reforço da rede social do utilizador, permitindo que os idosos aí possam “colocar as suas “vivências” e criar grupos de interesses.

Em Julho foram realizados testes com um grupo de oito idosos que experimentaram o módulo de comunicação e trocaram receitas de culinária. Os resultados foram   animadores. Actualmente, o projecto tem o apoio das Câmaras da Batalha e Ourém. Leiria já manifestou interesse em aderir, revela o docente.

Carlos S. Almeida