Num universo paralelo, dois homens partilham o mesmo destino. Unidos por doenças raras, tentam saber quem são e onde estão.
Esta é a história de Pedro e é também a do primeiro filme de Bruno Santana, realizador de Leiria que conseguiu algo que há muito não acontecia na cidade: o Teatro José Lúcio da Silva esgotado para uma sessão de cinema.

"Desalinhado", de Bruno Santana

Bruno Santana explica que a ideia para o filme surgiu há cinco anos. “Ia divagando apenas com alguns amigos mais chegados que um dia iria fazer um filme. ‘Gozado’ por alguns, indicando a pouca probabilidade de isso acontecer, eu não deixei de sonhar”.

Lançou-se então na licenciatura de Som e Imagem e, um pouco antes do último ano, começou a passar a ideia para o papel. Seguiu-se um “casting” entre os amigos e as gravações começaram em junho de 2011.

“Poderia ter optado por uma curta-metragem. No entanto quanto mais escrevia, mais queria escrever. Penso que os pequenos 10% que utilizamos da nossa mente é suficientemente poderoso para imaginar e criar. Tenho uma teoria que os restantes 90% são utilizados, mas de forma aleatória, isto é , não somos nós que controlamos. Daí existirem depressões e tudo mais, que tomam posse do nosso corpo. Para mim advém tudo da mente, saber domina-la é uma grande batalha”, conta.

Assumindo ser influenciado por “Lost highway”, de David Linch, “Lord of War”, de Andrew Niccol, “Memento”, de Christopher Nolan, “American Psycho”, de Mary Harron, ou “Fight Club”, de David Fincher, Bruno Santana explica que a ideia original para a história advém da sua “fria mente”:

“Sou crente, mas à minha maneira. Acredito que nada neste mundo seja ao acaso, o lugar X na hora H já terá sido estipulado muito antes de, sequer, pensarmos nisso. Foi assim que pensei e escrevi estes dois mundos de ‘Desalinhado’, o mundo Terra onde todos habitamos e socializamos e o mundo Parallellus (em Latim, Paralelo). Este mundo é um mundo surreal, que existe apenas para o espectador, pois não passa de um livro que o protagonista escreve”.

Esse protagonista é Pedro, formado em literatura, 27 anos, que perdeu os pais antes de se dedicar ao estudo e à droga. Sofrendo de Alzheimer num estado degenerativo, lidar com as pessoas de melhor forma que consegue, fingindo que as conhece ou simulando saber algo que já terá esquecido:

“Neste mundo, todos conhecem Pedro devido a um facto que não irá ser revelado. Embora Pedro não conheça ninguém e conheça todos – simplesmente não se recorda de ninguém, excepto da namorada – Melissa”.

Para “Desalinhado”, Bruno gastou cerca de 1.200 euros, beneficiando de diversos apoios que suportaram maquilhagem, alimentação dos atores e as gravações em Folgosinho, onde decorreram parte das filmagens. As restantes foram registadas no distrito de Leiria.

A estreia do filme tem já garantida lotação esgotada no Teatro José Lúcio da Silva. Depois, “Desalinhado” pode ser visto dias 23, 24 e 25 no Teatro Miguel Franco.