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Sociedade

“Bunker” no Arrabal com ordem de demolição

A Câmara de Leiria notificou os proprietários do terreno onde foi construído um “bunker” ilegal, no meio de um pinhal da freguesia do Arrabal, para demolirem a obra.

A Câmara de Leiria notificou os proprietários do terreno onde foi construído um “bunker” ilegal, no meio de um pinhal da freguesia do Arrabal, para demolirem a obra.

O "bunker" foi construído no verão passado no meio de um pinhal (fotografia: Joaquim Dâmaso)

A estrutura, que surgiu no último verão, junto a uma cruz com cerca de cinco metros de altura no Vale de Santa Margarida, foi soterrada no início de julho após uma fiscalização da autarquia. Localmente, ficou reforçada a ideia de que se trata de um abrigo subterrâneo para servir de refúgio a quem acredita que o fim do mundo está próximo.

A obra, com cerca de 400 metros quadrados, foi embargada mas prosseguiu nas semanas seguintes, apesar da ordem de demolição das construções existentes e de reposição do terreno nas condições em que se encontrava.

Em meados de agosto, e na sequência de uma exposição apresentada pelos donos da obra, a autarquia voltou a notificá-los “com vista à apresentação do pedido de licenciamento devidamente instruído, sob pena de a Câmara vir a executar coercivamente a demolição após posse administrativa do prédio”, adianta o vereador Lino Pereira.

Os infratores solicitaram entretanto à Câmara uma prorrogação de prazo para apresentar elementos com vista à eventual legalização das obras, o que efetivaram no dia 13 de outubro.

O pedido foi contudo “rejeitado liminarmente pelos serviços camarários”, esclarece o autarca, acrescentando que os serviços de fiscalização realizaram diversas intervenções no decorrer do processo, nomeadamente em outubro de 2010, tendo levantado várias participações.

Movimentos de terras e a construção de um reservatório de água junto à cruz suscitaram à época uma queixa.

Quanto à cruz, de cor azul e branca e iluminada à noite, pode ser avistada do lugar da Martinela, do outro lado do vale, e constitui um local de oração. O assunto motivou entretanto a intervenção da Diocese de Leiria-Fátima, que alertou os fiéis para alguns grupos de oração que faziam circular “mensagens de videntes e pretensas aparições da Virgem Maria” por vezes, “de teor apocalíptico a prever o fim do mundo”.

O REGIÃO DE LEIRIA tentou contactar um dos responsáveis pela obra, que sempre recusou prestar declarações, mas não conseguiu até ao fecho desta edição.

(notícia publicada na edição de 24 de fevereiro de 2012)

MR