Assinar Edições Digitais
Cantinho dos Bichos

Famílias de Acolhimento Temporário dão segunda oportunidade

Muitas famílias acolhem mais do que um animal em simultâneo. Embora não exista um número limite, é preciso ter em atenção os “cuidados diários” como os passeios, brincadeiras e alimentação

Há quatro meses que Maria de Fátima e Hugo Sousa, ambos de 37 anos e a viver na Maceira, são uma Família de Acolhimento Temporário (FAT) de animais. Nunca tinham pensado em tal coisa, mas o temporal de janeiro mudou as suas vidas.

Hugo e Maria de Fátima com a Nina

Nina – diminutivo de Menina, pois não é aconselhável “batizar”um animal que está para adoção – apa­nhou-os de surpresa. Apareceu perdida em Cumeira, Marinha Grande, no fim de semana após o temporal e dormia, numa zona de casas geminadas, “debaixo de um carro”, recorda Maria de Fátima.

Alertada, a Associação Protectora dos Animais da Marinha Grande (APAMG) não tinha capacidade para acolher mais animais abandonados. “Foi a urgência por parte da APAMG que me fez ajudar”, conta.

A reação da cadela perante a “escada” que lhe lançavam foi imediata. Nina “respondeu à mão e foi muito meiga”. O casal não hesitou e ficou com ela, enquanto FAT, até que os donos aparecessem.

Ser FAT não implica custos excessivos nem tempo extra. O que é exigido a Maria de Fátima para cuidar do trio felino e do guardião canino lá de casa é aplicado também a Nina. Prestar-lhe cuidados, oferecer um bom lar, atenção e mimos, em vez de vaguearem pelas ruas à procura de uma cama ou comida.

A APAMG, assim como a Desprotegidos e outras associações da região, assegura os custos de alimentação e cuidados de saúde, deixando às FAT apenas a responsabilidade de darem aos animais amor e bons tratos, enquanto não são adotados ou existe um espaço para eles na associação, uma das principais carências destas entidades.

Muitas famílias acolhem mais do que um animal em simultâneo. Embora não exista um número limite, é preciso ter em atenção os “cuidados diários” como os passeios, brincadeiras e alimentação, informa a associação Desprotegidos, assim como “espaço e disponibilidade”.

Quanto ao tempo que Nina vai permanecer na FAT, isso depende das possibilidades, vontade e condições da família que a acolhe. Muitas vezes, os animais conquistam de tal forma as famílias que acabam por ser adotados para sempre.