Um saco de plástico com dejetos voltou a ser arremessado esta terça-feira à noite para um dos campos de ténis quando decorriam aulas Foto: Joaquim Dâmaso

Joaquim Dias, presidente da direção do Clube da Escola de Ténis de Leiria (CETL), renunciou ontem, dia 21, ao cargo, afirmando-se cansado e impotente perante as “constantes ações” de “puro terrorismo” de que o clube tem sido alvo há quase um ano.

Num comunicado enviado à imprensa, o responsável, que dedicou 39 anos ao clube e lidera a direção desde 1998, adianta que a idade já não lhe permite “nem aconselha a ‘conviver’ emocionalmente com estas lamentáveis e tristes ocorrências”. Reporta-se em concreto ao corte com troncos dos acessos aos campos de ténis e padel, e mais recentemente, ao arremesso quase diário de dejetos, frascos de vidros e sacos de plásticos com produtos químicos para os campos.

O caso mais recente ocorreu na passada terça-feira, no decorrer de uma aula de ténis. Rondavam as 21 horas, quando um saco com dejetos foi atirado para o campo, não atingindo um aluno “por mero acaso”, conta Joaquim Dias,

PSP e Câmara de Leiria já foram chamadas ao local 21 vezes na sequência destas ocorrências, em alguns casos duas vezes por dia, acrescenta o responsável, que lamenta o facto de nem a Câmara nem a PSP parecerem dispor “de meios legais para combater e evitar estes atos de puro vandalismo”.

Joaquim Dias relaciona estes “ataques” com o diferendo que opõe há anos a Câmara de Leiria e Arlindo Lisboa, sócio-gerente da empresa Moniz & Ribeiro, que alega ser o proprietário de um dos terrenos onde foi construído o CETL. O caso está a ser dirimido em tribunal, tendo a Câmara interposto recentemente um pedido de providência cautelar para desimpedir os acessos ao complexo, que foi diferido pelo tribunal a 13 de outubro. O arremesso dos dejetos e boiões de vidro começou dias depois, embora Arlindo Lisboa já tenha negado qualquer participação nestes atos.

Joaquim Dias frisa que o CETL é “completamente alheio” a este contencioso, embora afirme que “tem vindo a ser pressionado, quer pessoalmente quer através de correspondência e mensagens telefónicas por parte do sr. Arlindo Lisboa” no sentido de o clube “suspender toda a sua atividade” naquele local, “sob pena de inutilização definitiva das referidas instalações”.

MR