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Há um centro em Leiria que oferece convívio e animação a quem está sozinho

Criado em 1989, o Centro de Convívio destina-se a pessoas mais velhas, com autonomia e mobilidade Fotos: Dana Shutak

No dia em que celebrou 83 anos, Hortense Pereira não contava com uma festa como aquela. Estava de coração cheio. Além dos utentes habituais, compareceram fundadores do Centro de Convívio, o presidente e restante equipa da União de Freguesias de Leiria, Pousos, Barreira e Cortes e ainda o REGIÃO DE LEIRIA. A casa estava cheia, o ambiente era animado. Não havia dores nem maleitas que afetassem os convivas, todos com mais de 65 anos.

É esse o objetivo do Centro de Convívio da Freguesia de Leiria – assim se designa apesar da agregação de freguesias. Instalado no nº 12 da rua Henrique Sommer, tem por objetivo “potenciar a inclusão social” e “fomentar as relações interpessoais e intergeracionais”.

Elisabete Pinheiro e Lurdes Botelho, presidente e secretária da direção, realçam que a instituição fundada em 1989 e que hoje é uma IPSS – Instituição Particular de Solidariedade Social, é procurada como forma de “combater a solidão” e de ajudar a manter a autonomia e a mobilidade física. “Adoram dançar”, afirma Elisabete Pinheiro, lembrando a participação no baile de Carnaval promovido pela Câmara de Leiria: “Naquele dia dançaram do princípio ao fim, no dia seguinte é que vieram as dores”.

Para José Cunha, presidente da União de Freguesias, “estes centros de convívio acabam por ser o único sítio onde os utentes se sentem úteis e o único espaço que têm para se relacionarem com os outros e com o mundo. Sem eles a única companhia seria a televisão”. Para a saúde mental e intelectual, estes centros são “um benefício” que, por essa razão, merecem o apoio da junta de freguesia.

No Centro de Convívio de Leiria, a maior parte dos utentes são mulheres viúvas. A mais velha tem 93 anos. Residem no centro da cidade, muitas na zona histórica, e deslocam-se pelo seu próprio pé à instituição. Ana Raquel Antunes, técnica de serviço social, explica que “são pessoas com mobilidade total”, mas que, atendendo ao seu quadro clínico, “têm que ter força de vontade para vir, até mesmo nestes dias de chuva”.

Ali encontram ginástica de manutenção, jogos de mesa, festas temáticas, trabalhos manuais, livros e jornais para ler e alguém com quem ter dois dedos de conversa. “O centro ajuda-as a encontrar alguma cor na vida, porque senão o dia era todo muito igual”, sublinha Ana Raquel.

Lurdes Botelho explica que não se trata de um centro de dia, que abre portas logo de manhã, onde as pessoas fazem as suas refeições e tratam da sua higiene. O Centro de Convívio funciona apenas da parte da tarde, entre as 14 e as 19 horas, de segunda a sexta-feira, e a única refeição que ali se pode fazer é o lanche. Não é pouco, por isso há utentes com mais de 20 anos de casa.

Maria José Sousa, 85 anos, é uma dessas utentes. Viúva, reside nos Capuchos e não se desloca ao Centro todos os dias, porque “aparece uma dor, depois aparece outra”. Ali, diz que gosta de jogar bingo e dominó. Em tempos, chegou a bordar e a fazer desenhos, mas agora as amigas “só querem jogar”. Maria José não parece importar-se e, mesmo sem saber ler e escrever, integra os convívios que se fazem em torno de uma mesa de jogo. Para bordar, confessa: “também já não estou a ver bem a coisa”.

Albino Gaspar, 79 anos, chefe da PSP aposentado, é um dos poucos homens do Centro e desloca-se no seu carro. Começou a frequentar a instituição em novembro do ano passado. Não é o único local onde encontra convívio. Também gosta das tardes que passa no clube dos Pousos. Jogar dominó e às cartas é um dos seus passatempos. “Mas o melhor tempo que eu passo é a ler e a fazer as palavras cruzadas”, diz ao REGIÃO DE LEIRIA. “Não descanso enquanto não faço tudo”.

O Centro de Convívio tem capacidade para 30 utentes e, atualmente, acolhe 29. A nova direção, que iniciou funções recentemente, pretende introduzir melhorias nas instalações e estabelecer protocolos com outras entidades, que permitam aos utentes desenvolverem mais atividades.

A instituição conta com alguns parceiros que a ajudam a fazer face às despesas mensais, já que o valor pago por cada utente é muito baixo. Entre elas estão, além da Segurança Social, a Câmara Municipal de Leiria, a União de Freguesias e a Fundação Caixa Agrícola de Leiria.

Patrícia Duarte
Jornalista
patricia.duarte@regiaodeleiria.pt

“O Centro de Convívio acaba por dar alguma cor à vida, porque nem todos os dias fazemos a mesma coisa. Fazemos muitas atividades fora. Adoram sair para ir ao teatro, ao cinema”

Ana Raquel Antunes

técnica de serviço social, Centro de Convívio

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