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Incêndio no Pinhal de Leiria terá sido planeado um mês antes entre madeireiros

Os incêndios que deflagraram a 15 de outubro de 2017 no concelho de Alcobaça e destruíram mais de 80% do Pinhal de Leiria terão sido planeados um mês antes.

Segundo a reportagem “Máfia do Pinhal”, transmitida esta noite no Jornal das 8 da TVI24, vários empresários do sector da madeira terão acordado estratégias para incendiar a Mata Nacional.

A fonte da reportagem, assinada pela jornalista Ana Leal, é um homem que diz ter sido convidado para participar em reuniões na cave de um restaurante que se encontra encerrado na Praia do Pedrógão e onde terão estado presentes donos de pelo menos quatro das maiores empresas de madeira da região e de fábricas que compram e vendem madeira.

Nesses encontros, realizados cerca de duas semanas antes do fogo, terá alegadamente sido ainda combinado o preço da madeira a negociar depois das chamas e tomada a decisão de nada oferecerem pelos lotes do Estado que seriam colocadas à venda em hasta pública, com o intuito de o Estado baixar posteriormente o preço da madeira para conseguir vender, revelou a mesma fonte.

Já Nélio Gomes, comandante dos Bombeiros Voluntários de Pataias, adiantou à TVI24 que, nos meses que antecederam o incêndio que devastou a Mata Nacional, foram contabilizados mais de 50 alertas de incêndios em “zonas densamente povoadas de pinheiros”, indiciando tentativas de fogo posto.

“Foram feitas várias tentativas até ao dia ideal em que estavam reunidas as variáveis favoráveis para que o incêndio pudesse se desenvolver com a intensidade que se desenvolveu no dia 15 de outubro”.

Segundo a investigação, terão sido encontrados vasos de resina novos em zonas isoladas e onde não há pinhal resinado, bem como garrafas de vidro embrulhadas em papel de alumínio, que terão servido de “engenhos incendiários”.  Um “denominador comum para muitos focos de incêndio que foram surgindo ao longo dos dias”, adiantou o mesmo responsável.

Até à data apenas 3% da madeira queimada foi vendida. Vários particulares terão sido entretanto “obrigados” a vender a preços muito inferiores ao real valor da madeira, por falta de interessados. Uma testemunha revelou à TVI24 ter vendido por 10 mil euros uma quantidade de pinheiros que valeriam dez vezes mais.

1 Comentário

  1. Pedro

    Demasiado grave o crime para que as autoridades não actuem imediatamente. Demasiado grave a incompetência do ICNF e ministério da tutela para não haver demissões. Haja coragem para não pactuar com o negócio/crime, e não vender mais nem uma tonelada de lenha daquela área.

    Responder

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