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“O boi e o burro de Belém” a caminho das escolas da região de Leiria

Quando os alunos das escolas de Leiria, Marinha Grande, Batalha, Porto de Mós e Pombal abrirem a porta da sala de aula vão ter uma surpresa: “O boi e o burro de Belém”, a nova peça do Leirena Teatro.

Num espaço interior amplo, dois homens com vestuário de franjas estão em primeiro plano, enquanto quatro pessoas se encontram junto às janelas. Há materiais espalhados pelo chão e um quadro com anotações ao fundo.

Manuel Leiria
Jornalista
manuel.leiria@regiaodeleiria.pt

Joaquim Dâmaso
Fotojornalista
joaquim.damaso@regiaodeleiria.pt

Quando os alunos das escolas de Leiria, Marinha Grande, Batalha, Porto de Mós e Pombal abrirem a porta da sala de aula, num dos próximos dias, vão ter uma surpresa: uma grande carroça e seis atores estarão do outro lado para lhes contar a história de “O boi e o burro de Belém”.

A nova peça do Leirena Teatro foi preparada especialmente para chegar este Natal às escolas da região, sobretudo as mais recônditas.

“As pessoas esquecem-se que há escolinhas que ficam longe, na fronteira dos concelhos, com duas salinhas, 24 miúdos e para essas escolas é difícil alugar um autocarro e vir cá”, diz Frédéric da Cruz Pires. O encenador do Leirena quer, por isso, que a nova peça circule sobretudo por esses lugares. “Vamos lá, oferecer algo a que as crianças têm direito. O teatro não é um luxo, é uma necessidade”.

Em palco vão estar os seis estagiários que, desde outubro, preparam a peça. Catarina Francisco, Matilde Fachada, Vanessa Almeida, Francisco Almeida, Miguel Figueiredo e Raquel Rodrigues têm entre 16 e 18 anos e chegam do Curso Profissional de Artes do Espetáculo – Interpretação da Escola de Teatro do Colégio São Teotónio, de Coimbra.

“Eles estão a ter a sorte que eu nunca tive: poder estar durante dois a três meses numa cidade, com uma companhia profissional de teatro, numa residência artística”, desabafa Frédéric.

Um deles, Miguel Figueiredo, 17 anos, é o boi desta história:

“Os ensaios estão a ser ‘puxados’ mas para nos formar enquanto futuros atores – e enquanto pessoas, também. O trabalho é pesado. Já tínhamos falado com as outras turmas que vieram para cá estagiar, mas não sabíamos que ia ser tão pesado. Mas é bom para nos preparar. Ainda não estou arrependido“, brinca o jovem aspirante a ator.

Em palco, onde tem um papel bem exigente, Miguel acredita que vai tudo correr bem:

“Não estou muito nervoso. O resto do grupo também está confiante e relaxado”. 

Para já, estão confirmadas 33 apresentações, mas podem ser mais e, por isso, para Catarina Francisco “o mais complicado vai ser manter o espetáculo vivo, como se fosse o primeiro dia”.

“Temos de conseguir que o nosso corpo não seja mecanizado e que seja surpresa todos os dias”, nota a estagiária do Leirena. 

Catarina, de 17 anos, reconhece que a residência no Leirena está a ser “trabalhosa”, indo bem além da representação:

“Da confeção dos figurinos ao cenário – tivemos de lixar e pintar a carroça toda – já aprendermos várias áreas do teatro, ao nível da produção. Está a ser muito útil, porque o curso [em Coimbra] não abrange esta parte, fica só pela interpretação”. 

Natural da Caranguejeira, de Leiria, Catarina Francisco sempre quis seguir as artes do espetáculo, “teatro, dança e canto”, mas quando acabou o 9º ano teve de deixar a família e ir viver para Coimbra, pela falta de oferta profissionalizante na área em Leiria. 

“Foi muito complicado. Sou muita agarrada à família e é complicado, aos 15 anos, começar a viver sozinha e ganhar responsabilidades. Mas isso também ajuda para o teatro”, reconhece. 

Em palco, na nova peça do Leirena, Catarina e as outras três estagiárias estão sempre a entrar e sair, interpretando diversos papéis: pastorinhas, reis magos e até Maria e José. 

“É complicado, porque temos de perceber uma mudança de postura para cada personagem para o público conseguir perceber. É um desafio”, diz a aspirante a atriz, que gostava de fazer carreira no teatro mas também no canto, que aprendeu no Instituto Jovens Músicos. “Gosto muito do canto lírico e gostava de apostar nessa vertente”.

No final do estágio em Leiria, Catarina acredita que vai sair “preparada” para prosseguir a formação:

“A minha escolha pelo Leirena foi porque iria ajudar bastante para a PAP [Prova de Aptidão Profissional]. Vi que faltava fisicalidade ao que já sabia e como o Fred trabalha bastante essa parte, iria ajudar-me para avançar”.

“O boi e o burro de Belém” é uma peça para toda a família. Estão confirmadas 33 apresentações em escolas da região. No dia 21 de dezembro, a peça é apresentada na Leiria Cidade Natal



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