Os Fuzzil são uma banda de Alcobaça e de rock sério. Calhou ser Alcobaça, desabafam. Têm elementos ligados a Stone Dead e Mr. Gallini, outros projetos de mérito de um concelho com bandas “bastante diversificadas, mesmo convergindo algumas influências”. Apareceram há exatamente quatro anos e acabam de lançar o primeiro disco longa duração, “Before the sun goes down”.

Editado pela Raging Planet, o álbum é encarado como um novo arranque, tanto na sonoridade como na vida dos elementos dos Fuzzil:Filipe Garcia, Alexandre Ramos, Leonardo Baptista e Wilson Rodrigues.

Depois de dois EP, o novo disco por inteiro surge como “o consolidar de aprendizagens”, tanto “criativas ou do mercado em si”, contam Leonardo e Alexandre. E traz novidades:

“O processo criativo foi diferente, a produção também e isso resultou numa sonoridade nova”, assumem. O stoner rock ficou para trás, há outros instrumentos em cena e uma linha mais progressiva. “Virámo-nos um bocado mais para o rock clássico e da nova escola. É mesmo uma nova roupagem que assumimos neste disco”.

“Before the sun goes down”, que contém “o amanhecer e o anoitecer” com “um pôr-do-sol por intermédio”, já passou o teste de palco, em meia dezena de concertos que os Fuzzil deram nas últimas semanas pelo país.

“Cada vez mais vemos caras novas, isso deixa-nos orgulhosos do trabalho realizado no último ano e meio”. A banda tem sido elogiada pelo trabalho de vozes, consistência dos temas e pormenores que ajudam a construir a personalidade deste projeto genuinamente rock. Que, pelos vistos, está longe de estar morto, apesar dessa ideia não ser, para os Fuzzil, necessariamente má:

“Temos duas posições em relação a isso”, diz os dois elementos. A primeira é que “a notícia que maior destaque teve foi a de uma tal revista Blitz, que já foi enorme e é cada vez mais irrelevante à custa dos belos click-bait (como esta notícia) que adora”. A segunda é que, mesmo que o rock tenha de facto “morrido” “isso não é necessariamente mau”, porque “já não havia paciência p’ra certas bandas à procura da fama e farra dos ’80s’ ou dos ’90s’ grunge alternativos que de alternativo pouco tinham e se revelavam cópias da ‘cena’, mas piores”.

O rock é, ainda, “um excelente ponto de partida p’ra quem quer começar bandas e muitas influências nossas vêm de lá, mas por favor vejam que isso foi feito à 30 anos atrás”, pedem Leonardo e Alexandre.

Para os Fuzzil, “o rock não morre, porque nós estamos cá para o reinventar”.

ML

 

Com onze temas, “Before the sun goes down” é o primeiro longa duração dos Fuzzil. Sucede aos EP “WORMS” (2016) e “Molten π” (2017). O novo disco pode ser encontrado aqui, no Bandcamp da banda