Corrida às máscaras, escolas que adiam o reinício do ano letivo, depois dos feriados do ano novo chinês, e espaços públicos onde a temperatura corporal é controlada, são apenas alguns dos efeitos sentidos em Macau, do surto do novo Coronavírus, de acordo com o relato de uma professora leiriense naquela região chinesa.

Ao REGIÃO DE LEIRIA, a docente adianta que desde a última quarta-feira, o controlo de temperatura, para despistar suspeitas de casos de infeção, já era notado em hotéis e, no dia seguinte, nas escolas. “Na quinta-feira houve uma corrida às máscaras, havia filas nas farmácias e distribuição para os funcionários”, relata.

“Os meus alunos chineses dizem que a situação na China é mais grave do que dizem nas notícias”, confessa, adiantando, contudo, que os alunos não especificam de que forma a gravidade da situação se manifesta para além do que é conhecido.

A Direção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), em Macau, anunciou que “o reinício das aulas, nas escolas do ensino não superior” será “efetuado no dia 10 de fevereiro” ou mesmo “em data posterior”.

“As escolas devem fazer os preparativos necessários para que os alunos realizem as suas aprendizagens em casa”, aponta ainda a DSDEJ.

Algumas escolas do ensino superior estão a seguir a mesma indicação, adiando o início das aulas.

Entretanto, ontem, o Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong emitiu um aviso aos viajantes que se desloquem à China, incluindo a Macau e Hong Kong, recomendando-lhes que “estejam devidamente informados sobre a evolução da situação e permaneçam atentos aos comunicados” das várias entidades de saúde.

A docente de Leiria, que falou este sábado ao REGIÃO DE LEIRIA e que esta semana viajou de avião, revela que já detetou vários pontos de controlo. No aeroporto de Hong Kong, já foi confrontada com medições da temperatura corporal. Em Lisboa, ainda não “houve nenhuma verificação”.

Já este sábado, a Direção Geral de Saúde confirmou ter sido detetado, em Portugal, o primeiro caso suspeito de infeção pelo novo Coronavírus.

Trata-se de um doente, regressado hoje da China e que esteve recentemente na cidade de Wuhan. Encontra-se sob observação no Hospital de Curry Cabral em Lisboa, Hospital de Referência para estas situações.

Os resultados dos testes irão determinar se este paciente, com situação clínica estável, está ou não infetado pelo vírus. O surto começou no centro da China e já levou Portugal a ativar os dispositivos de saúde pública de prevenção.

Na China, 35 milhões de habitantes, em 12 cidades, estão isolados, para evitar a propagação do vírus. O coronavírus já fez 41 mortos na China. Esta manhã já havia registo de quase 1.300 casos na China e 38 noutros países.