As cadeiras faltaram para os muitos interessados em descobrir o primeiro regulamento de apoio a projetos artísticos a atribuir pelo município de Leiria no âmbito da Rede Cultura 2027.

A maior sala da Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira foi pequena para acolher todos os agentes culturais – de Leiria e não só – que quiseram estar presentes.

Segunda-feira, 6 de janeiro, já depois de um reforço de assentos, os grupos de teatro, ranchos, filarmónicas, artistas plásticos, músicos, produtores e outros protagonistas da cultura do concelho ficaram a saber que há 100 mil euros para distribuir a quatro projetos, pelo menos, em 2020.

Com particularidades: esses projetos têm de ser desenvolvidos em parceria com um agente de um dos outros 25 concelhos da Rede Cultura 2027 – há já quase 1.400 registados – e ser apresentados ao público até dezembro de 2020, em Leiria e no município parceiro.

O coordenador da Rede Cultura salientou que, mais do que o objeto artístico a criar, é o processo em si que interessa. “Esta é uma ferramenta para nos capacitar e ajudar a melhorar a performance enquanto candidatos a apoios”, disse Paulo Lameiro.

Após a publicação do regulamento em Diário da República esta semana, seguem-se duas fases de afinação e apresentação – ou pitch, como lhe chamou Lameiro – até à seleção de quatro projetos, apoiados em 75% do orçamento total com um máximo de 25 mil euros.

Os candidatos devem orientar as propostas para uma de quatro áreas: “Práticas artísticas participadas”, “Da cidade à aldeia”, “Olhares cruzados” e “Património imaterial”, descritos no artigo 4º do regulamento.

Para Paulo Lameiro, a candidatura de Leiria a Capital Europeia da Cultura 2027 “precisa de agentes culturais mais ágeis, mais capazes e com capacidade para trabalhar em conjunto”.

O plano persegue esses e outros objetivos, como ensinar a “medir quanto vale o trabalho dos nossos agentes”, como por exemplo “o trabalho voluntário ou o que é ter uma sede”.

“Sei que há já alguns projetos que andam a ser trabalhados”, notou o coordenador, desejando que, deste primeiro processo de candidatura, surjam “novas formas de trabalho” que capacitem os agentes culturais de Leiria “a concorrer a programas europeus na área da cultura”.

Através desta iniciativa no âmbito da Rede Cultura 2027, que não substitui os apoios do ProLeiria e outros apoios a definir pela autarquia, “a Câmara de Leiria está a capacitar, a energizar, a oferecer novas formas de trabalho a cada um de nós que está aqui”.

Até porque, lembrou Paulo Lameiro, a candidatura à Capital Europeia da Cultura será dedicidida no final de 2021: “Uma das áreas em que vamos ser avaliados é o que fomos capazes de fazer até vir cá o juri. Quando vier, tem de ver alguma coisa a acontecer”.

A vereadora da Cultura, Anabela Graça, prometeu que “até março sabe-se que projetos vão ter apoio”.

“Este ano o timing está mais apertado”, reconheceu a vereadora, porque a publicação em Diário da República demorou e porque se pretende lançar novo concurso para 2021. “Queremos dar um novo impulso, com novas energias, ao que queremos fazer”, salientou.

Congresso internacional em outubro

Paulo Lameiro anunciou também a realização de um congresso internacional em Leiria nos dias 23 e 24 de outubro. É lá que será delineada a programação a apresentar na candidatura a Capital Europeia da Cultura 2027.

“Esse congresso vai reunir os possíveis curadores, programadores e será lá que todo o território – os agentes desta cidade e dos outros 25 municípios – vai afirmar o que gostava que acontecesse”, disse.

Será também nesse momento que serão apresentadas “as ideias de vários focus group que vão ser criados”, de modo a “definir linhas estratégicas para a programação”.

ML