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Cultura

Júri entende que faltou clareza e estratégia à candidatura de Leiria a Capital Europeia da Cultura 2027

Relatório foi divulgado ontem. Painel de jurados diz que Leiria demonstrou “uma verdadeira paixão e compromisso”, que podem ser benéficas no futuro.

Que a candidatura de Leiria não está entre as finalistas a Capital Europeia da Cultura (CEC) em 2027 é algo que já se sabe desde 11 de março. O que se ficou a saber ontem, quinta-feira, foram os motivos que levaram o júri internacional a excluir a candidatura leiriense.

O relatório do processo de pré-seleção das cidades portuguesas que se candidataram a Capital Europeia da Cultura 2027 dá conta, entre outros aspetos, que faltam explicações e clareza na forma como a candidatura de Leiria se quer afirmar no território, e que as estratégias pensadas e os impactos previstos, a longo prazo junto dos 26 municípios que constituem a Rede Cultura 2027, não têm conexão.

“A constituição da Rede baseia-se numa perspetiva de longo prazo ligada à visão de desenvolvimento territorial. No entanto, a sua ligação com a estratégia não é clara”, refere o documento.

“A forma como a candidatura a CEC é incluída na estratégia [da Rede] também não é clara”, bem como de que forma os impactos, que dali se pretende que resultem, vão estar relacionados com os objetivos estratégicos gerais da cidade e específicos da CEC. “Os planos para desenvolver vínculos de longo prazo entre sectores culturais e criativos e os sectores económico e social precisam de uma melhor explicação”, indica o relatório.

No que respeita ao conteúdo cultural e artístico, a candidatura de Leiria apresenta uma abordagem e metodologia “interessantes e frescas”, permitindo uma maior intervenção e ação dos operadores culturais. Contudo, é insuficiente e devia estar fortalecida com “projetos culturais e artísticos” com maior consistência, já que “embora já existam vários projetos interessantes”, muitos são ainda baseados apenas em ideias.

No que respeita à dimensão europeia da candidatura, o júri destaca a introdução dos valores de hospitalidade, democracia e cidadania, educação e sustentabilidade, mencionados na candidatura como essenciais para o desenvolvimento da Rede Cultura, mas considera que isso não está traduzido nas vertentes apresentadas por Leiria. Entende igualmente que, nesta fase, as parcerias europeias já deviam estar “claras e definidas” e ainda não estão firmadas.

Apesar das várias críticas apontadas no documento, o júri entende que há elementos que representam “uma força” na candidatura, como a utilização de espaços culturais já existentes nos 26 municípios e a reabilitação de edifícios abandonados, o que implica um valor de baixo investimento e a adoção dos espaços em 2027 e no futuro, valorizando a cultura.

Para o painel de jurados, Leiria demonstrou “uma verdadeira paixão e compromisso” no desenvolvimento do trabalho realizado e as “experiências adquiridas e as redes construídas nesta fase” “podem ser muito benéficas” no futuro. Recomenda ainda que Leiria aproveite o “bom trabalho que iniciou”, quer com a Rede Cultura, quer no envolvimento da comunidade, “e continue sua jornada cultural”.

Para CEC 2027 foram submetidas candidaturas por Aveiro, Braga, Coimbra, Évora, Faro, Funchal, Guarda, Leiria, Oeiras, Ponta Delgada, Viana do Castelo e Vila Real. Foram escolhidas as cidades de Ponta Delgada, Braga, Aveiro e Évora para a fase final do processo de candidatura a Capital Europeia da Cultura em 2027.

Rede Cultura é para manter, diz Câmara de Leiria

Recorde-se que a candidatura de Leiria a Capital Europeia da Cultura 2027 surgiu em 2015 e ganhou forma e substância com a constituição da Rede Cultura 2027, que integra 26 municípios de três comunidades intermunicipais, Leiria, Oeste e Médio Tejo: Alcanena, Alcobaça, Alenquer, Alvaiázere, Ansião, Arruda dos Vinhos, Batalha, Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Lourinhã, Marinha Grande, Nazaré, Óbidos, Ourém, Pedrógão Grande, Peniche, Pombal, Porto de Mós, Sobral de Monte Agraço, Tomar, Torres Novas e Torres Vedras.

Da rede fazem também parte a Diocese de Leiria-Fátima, os politécnico de Leiria e de Tomar e Nerlei – Associação Empresarial da Região de Leiria.

Coordenada por Paulo Lameiro, através do Grupo Executivo, a estrutura da Rede Cultura 2027 integra também o Conselho Estratégico, liderado por João Bonifácio Serra – que liderou Guimarães 2012 – Capital Europeia da Cultura – e o Conselho Geral, encabeçado pelo presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, e que integra todos os restantes 25 presidentes da câmara e demais entidades parceiras.

Em novembro de 2021, Leiria entregou o livro de candidatura (ou bid book), com o tema “Curar o comum”. A candidatura desenvolvia-se em seis eixos: “Reconhecer”, “Religar”, “Tecer”, “Cuidar”, “Imaginar” e “Sustentar”.

Manter o projeto da Rede Cultura 2027 independentemente da conquista do título de Capital Europeia da Cultura em 2027, construindo uma rede cultural no território de 26 municípios, é um dos objetivos da Câmara de Leiria, sendo redefinidos objetivos e modelo de governança.

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