Se a preocupação de contágio é grande entre a população, um caso confirmado entre os colaboradores do Centro de Acolhimento de Leiria (CAL), utentes ou contactos próximos de ambos, pode representar o fecho da instituição. A única que oferece refeições diárias a cerca de 40 pessoas em situação de sem-abrigo na cidade de Leiria.

Desde o início da semana que o CAL deixou de servir almoços e jantares à mesa e passou a entregar as duas refeições do dia à hora do almoço em modo take away. Na mesma altura é entregue a medicação em dose unitária (para o dia) a alguns dos utentes.

Além do reforço das medidas de higienização, a que a instituição já está habituada por acompanhar há duas décadas uma população considerada de risco, limitou os contactos ao estritamente necessário para proteger funcionários e utentes e salvaguardar este apoio.

“Enquanto pudermos vamos dar o nosso máximo, sendo conscienciosos”.

“Nós somos o suporte básico destas pessoas e não as queremos deixar desprotegidas. Não consigo imaginar, se nós fecharmos totalmente, o que vai ser destas pessoas. Não de todos, mas de alguns, nomeadamente os que não sabem ler nem escrever e têm que tomar medicação diariamente”, explica ao REGIÃO DE LEIRIA, Edite Tojeira, coordenadora do CAL.

Para manter o serviço, a instituição mudou a sua forma de trabalhar, mas se, no primeiro dia, registou alguma dificuldade no cumprimento das novas regras e compreensão dos cuidados necessários para evitar a propagação no novo coronavírus, a responsável refere que “estão todos a colaborar”. E, excetuando um caso ou outro, “não os tenho visto da rua”.

“Neste momento, nós estamos a garantir tudo, mas de portas fechadas”, sendo a entrada permitida apenas em “situações extremas”.

“Isto é o centro de vida deles e foi difícil compreenderem  esta mudança. Isto é uma cadeia frágil, temos consciência disso. Se algum de nós [funcionários], mesmo que o foco de contaminação não seja de dentro, mas nas nossas vidas privadas ou familiares, e tivermos que ficar em isolamento, sabemos que tudo pode cair”Edite Tojeira, coordenadora do Centro de Acolhimento de Leiria

O contacto com o CAL passou a ser feito por telefone ou via email, e o atendimento presencial “só em casos muitos excecionais”.

Com a suspensão de quase todos os serviços e empresas, o CAL depara-se, por outro lado, com algumas dificuldades de aprovisionamento, mas mantém-se disponível para receber donativos, como já aconteceu esta semana por iniciativa de um restaurante que fechou portas e lhes doou alguns excedentes.

Edite Tojeira apela, no entanto, aos interessados para que estabeleçam um contacto prévio com o CAL para garantir que as entregas sejam efetuadas com todas as regras de segurança. O contacto pode ser efetuado pelo telefone 244 828 717 (entre as 10 e as 18 horas) ou pelo email cenacoleiria@gmail.com.