Quando surgir o primeiro caso de Covid-19 na região, a progressão da doença dar-se-á a um ritmo mais brando do que aquele a que se tem assistido no país.

Nuno Fonseca, engenheiro informático e antigo professor do ensino superior, tem estado a calcular diariamente o aumento do número de pessoas infetadas a nível nacional e não tem falhado muito. De sexta-feira para sábado calculou que o país chegasse aos 168 casos – chegou aos 169 – e, de ontem para hoje, estimou que se atingissem os 254, mais nove do que foi divulgado pela Direção-Geral da Saúde.

Ressalvando que não é especialista na área, mas apenas um profissional habituado a lidar com sequências de números, Nuno Fonseca disse ao REGIÃO DE LEIRIA que a taxa de crescimento está a rondar os 40%. A manter-se assim, a progressão será de 350 casos na segunda-feira, 500 na terça, 715 na quarta, 1.024 na quinta e de 1.500 na sexta.

Porém, na região, quando aparecer o primeiro caso, a taxa de crescimento já será mais baixa. Às 13 horas deste domingo, Odete Mendes, coordenadora da unidade de saúde pública do ACES PL (Agrupamento de Centros de Saúde Pinhal Litoral), confirmava ao nosso jornal que não existiam casos diagnosticados com Covid-19 nos concelhos de Leiria, Batalha, Marinha Grande, Pombal e Porto de Mós. Contudo, atendendo ao facto de a região não se encontrar isolada e ao período de incubação do vírus, a probabilidade de surgirem pessoas infetadas nas próximas horas é elevada.

Quando isso se verificar “o crescimento vai ser mais simpático para nós”, afirma Nuno Fonseca, e isso “são boas notícias para a região”. “Quanto mais tarde surgirem casos melhor, porque já vamos usufruir deste impacto positivo das medidas de isolamento social e da mensagem que está a ser transmitida”, acrescenta.

“Se não tivesse havido mudança de comportamentos, pelas contas iniciais, dentro de um mês teríamos um  milhão de pessoas infetadas”. Nuno Fonseca, engenheiro informático e antigo professor do ensino superior

Nuno Fonseca não consegue apontar o momento em que a curva vai começar a descer, mas não tem dúvidas de que, nestes cálculos, a variável com mais impacto é o comportamento das pessoas e a capacidade de se isolarem mais ou menos. “Se as pessoas estiverem isoladas, isso reduz significativamente a taxa de propagação. Estamos a falar de crescimentos exponenciais. O simples facto de o crescimento deixar de ser de 40% para 20%  faz a diferença”.

Sublinha que se não tivesse havido mudança de comportamentos, pelas contas iniciais, “dentro de um mês teríamos um  milhão de pessoas infetadas”. No seu entender, “isso não vai acontecer porque uma parte da população está a mudar comportamentos”.

Quanto ao fecho das fronteiras, do ponto de vista da saúde pública, defende que o “o Governo faria bem” em adotar essa medida, mas compreende que estas decisões têm um conjunto de custos económicos associados” e que não são fáceis de tomar.