Vários músicos portugueses têm aproveitado o confinamento para criar e gravar, prova disso são músicas como “You feel like home”, de David Fonseca, de Leiria, e “Transtorno”, de Gisela João, álbuns e compilações partilhados ‘online’ nas últimas semanas.

No dia de Páscoa, 12 de abril, David Fonseca usava as suas páginas nas redes sociais para partilhar o tema “You feel like home”, que conta com a participação da modelo e atriz Ana Sofia Martins, e respetivo vídeo, ambos gravados “totalmente em casa”.

A acompanhar o vídeo, o músico partilhou um texto no qual afirma que “quase todos os momentos mais difíceis” da sua vida “tiveram na criatividade uma resposta à altura, transformando-os em algo mais positivo, mais fácil de carregar”.

“Chegados até aqui e ao momento difícil que todos atravessamos, o meu ímpeto é o mesmo: criar”, escreveu. “Criar é uma forma de manter viva a nossa autonomia, a nossa liberdade”, afirmou ainda o músico aquando do lançamento deste novo tema, que partilhou online.

A música “You feel like home” foi “misturada e masterizada à distância” e “acabou por ser alvo de um ‘lyric video’ a partir de um jogo de tabuleiro 8o Scrabble), uma tarefa de dias que fez valer a pena a desarrumação generalizada de uma das divisões da casa”.

Gisela João escolheu o dia 26 de abril para partilhar nas suas páginas nas redes sociais o tema “Transtorno”, e respetivo vídeo.

“Estava em casa, já em quarentena e perguntei ao meu amigo André Tentugal, que estás a fazer? Ele diz-me: ‘Olha, estava aqui no piano a fazer músicas’. Pedi-lhe que me enviasse, e deixei-me levar, fui cantando e experimentando melodias, até que encontrei um poema belíssimo que o Samuel Úria me ofereceu há meses que encaixou perfeito com a música, é que sendo sem tempo é por isso, também, uma tradução dos tempos que vivemos”, escreveu.

Gisela João pediu ainda ao músico Nic Hard, “na Nova Zelândia, em casa, para ajudar com o som”.

O tema com Gisela João não foi o único que André Tentúgal criou em confinamento. Esta semana, o músico partilhou “Changes”, feita em parceria com o “parceiro músical de longa data” Eurico Amorim.

“Fizemos uma canção sobre a mudança a que fomos obrigados, mas que em parte pensamos ser bem necessária. A voz, roubamos ao David Bowie”, escreveu André Tentúgal sobre o tema, que teve mistura e masterização de João Bessa e foi partilhado em vídeo com texto de Raquel Rodrigues.

“Luz” foi o que o músico e produtor Moullinex decidiu partilhar, em abril, com quem o segue nas redes sociais.

“Filmado em Abril de 2020, com um iPhone e binóculos, de um carro. Os ‘performers’ utilizaram o isolamento em que todos vivemos como uma plataforma para a expressão individual e como mensagem de esperança. ‘Luz’ foi gravada por mim e cantada por GPU Panic durante a quarentena”, escreveu sobre o tema e respetivo vídeo, dirigido por Bruno Ferreira e Bráulio Amado, e editado por Sérgio Pedro.

Já o cantor João Pequeno decidiu partilhar com o mundo que “Amanhã vai ser melhor”.

“Primeiro surgiram os versos, depois o piano. Juntou-se um coro de artistas portugueses [Nuno Figueiredo e Jorge Benvinda, dos Virgem Suta, de Marlon, Salsa e Nena, d’Os Azeitonas, de Via e de Bruno Vasconcelos], que a partir das suas casas ajudaram a dar voz a esta ideia. Ao fim de 72 horas, a música estava pronta e ganhava forma em videoclipe com imagens do mundo real que hoje vivemos”, refere o agenciamento do artista, em comunicado.

António Zambujo e Boss AC optaram por criar novas versões de temas seus, “Pica do 7” e “Tu é mais forte”, respetivamente, com as letras adaptadas ao momento atual, em que o mundo lida com a pandemia da covid-19.

Mas o confinamento não gerou apenas ‘singles’. O ‘rapper’ Karlon e o produtor Madkutz criaram um álbum, “Em 5 dias”.

O álbum, composto por oito temas, foi divulgado em 07 de abril no Youtube e na página de Karlon no Bandcamp, plataforma onde pode ser comprado.

Nesta altura de confinamento foram também criadas compilações.

Na sexta-feira, Dia Mundial do Jazz, o carimbo Porta-Jazz, da associação cultural com o mesmo nome, editou “De Porta Aberta”, “um álbum composto por 39 solos de músicos confinados em casa a cumprirem a quarentena”.

“Convidados a gravar um tema com duração máxima de três minutos, que fosse possível de reproduzir ao vivo, os músicos ligados ao Carimbo Porta-Jazz surpreenderam e o resultado é tão eclético como único nesta poética dicotomia que traduz os tempos de hoje, separados mas ainda assim juntos”, refere a associação em comunicado.

O álbum custa dez euros e pode ser adquirido no ‘site’ da Porta-Jazz. O valor das vendas “reverte para os músicos e restantes profissionais envolvidos”.