Começou este sábado, 18 de julho, “Leiria 1437“, evento que substitui o Leiria Medieval e que lembra um ano particularmente difícil para a cidade e para Portugal.

A animação regressa amanhã, domingo, 19 de julho, e também no próximo fim de semana, dias 25 e 26 (sempre nos períodos da manhã e da tarde), no centro histórico de Leiria e também no Jardim Luís de Camões, arredores do Centro Comercial Maringá e Marachão e Jardim da Almuinha.

Segundo a autarquia, a par da animação, “Leiria 1437” serve ainda de sensibilização para o uso de máscara, higienização das mãos e distanciamento social.

Nestes dias, a animação será assegurada pelos grupos Marimbondo, Tentart, Boca de Cão, Thorsten, Lega Senso, Te-Ato, O Nariz, O Gato, Manipulartes, Teatro ApolloSport Operário Marinhense, Sport Império Marinhense, CaosArte, Teatro AlguidarEspada Lusitana, Tocándar, Lôa Trovadoresca, Encerrado para Obras e Porta da Traição.

Ao todo, o evento mobiliza cerca de uma centena de figurantes, num esforço elogiado pelo encenador, investigar e dramaturgo Luís Mourão:

“É bom saber que Leiria se predispõs, contra corrente e de forma pioneira, a manter vivo este evento”.

Mourão, que idealizou o conceito de “Leiria 1437”, lembra que os artistas participantes “são pessoas que estão a sofrer muito” devido à pandemia, porque “têm visto cancelados ou adiados uma série de eventos que lhes permitiam sobreviver”.

“Toda a gente, aparentamente, esquece-se disso, mas esta gente tem de se manter viva e saudável mental e fisicamente”, sublinha.

A par disso, Leiria mantém viva nestes dias a memória de Leiria Medieval, evento de massas que em 2019 atraiu cerca de 140 mil visitantes:

“É cada vez mais um grande evento de massas que serve para desmistificar muitas ideias erradas sobre a Idade Média e sobre a importância de Leiria, de forma alargada, para este território todo”.

Lembrar 1437 é recordar um ano que, marcado por “uma derrota militar, uma crise gravíssima nos cereais [produzidos] e do ponto de vista económico, agravada por uma peste”, se torna “pesadíssimo”.

“Na crónica de D. Duarte transparece a ideia de que mais valia que não tivesse existido este ano, mais ou menos o que nós sentimos hoje. Essa é a sensação que eles tinham”.

O evento toma a forma itinerante e sem programação anunciada para evitar aglomeração de pessoas.

“Não queremos juntar muita gente, por isso fazemos uma rotação pela cidade toda de forma pouco permanente, e isso permite salvaguardar ajuntamentos e ao mesmo tempo traga uma alegria”, sublinha Luís Mourão.

Para o encenador, este exercício de lembrar a história é precioso para “percebermos muitas coisas que estão a acontecer e porque acontecem desta forma” de modo a que se procure “olhar para o futuro limpando algumas coisas que são evidentes porque já vimos a evidência, já vimos que não dão resultados”.

“Quando não temos memória, repetimos sempre as mesmas asneiras, os mesmos erros”, conclui.