Quem atravessa o túnel pedonal que desagua no Parque dos dos Artistas Mestres Canteiros, na Batalha, mergulha num vórtice temporal. E “viaja” até à época que permitiu o surgimento da vila.

Bruno Gaspar, artista plástico com raízes no concelho, dedicou cerca de um mês a pintar as paredes do túnel, transformando-as numa tela de grandes dimensões que transporta o argumento de uma batalha, a de Aljubarrota, e o enredo que a determinou. A ideia, explica, “surgiu em 2018”.

Uma viagem de três anos, que lhe permitiu calcorrear o continente asiático, serviu para aprofundar a abordagem. Muito provavelmente, teve impacto no reforço da perceção do impacto de uma batalha que fez nascer a vila e abriu portas ao impulso expansionista do país que chegou, também, à Ásia.

Bruno Gaspar demorou um mês a pintar o novo mural da vila

Seja como for, o certo é que o mural procura contar a história da batalha. E, portanto, também da Batalha. Estão lá, entre outros, D. Fernando e Dona Leonor, bem como os monarcas que cobiçaram a coroa, ou D. João I que a segurou, por exemplo.

Não falta, igualmente Martim Gonçalves de Macedo herói na batalha de Aljubarrota, que Bruno Gaspar pretendeu homenagear.

“Abordei as figuras principais da batalha de Aljubarrota”, refere o artista, que confessa não ser o mural a sua linguagem principal, embora já seja autor de alguns, incluindo em Paris e na Lituânia.

“O essencial é sair do papel e da tela onde estou mais à vontade e entrar no trabalho de mural”, explica. “Não sou”, confessa, “artista para pintar em massa murais como este. Mas quem sabe, no futuro…”.Bruno Gaspar, artista plástico

O mural foi inaugurado dia 14 de agosto, dia da famosa batalha. Bruno Gaspar confessa ao REGIÃO DE LEIRIA que este trabalho surge da vontade de “presentear” a comunidade balhense e admite que os seus planos iam mais além.

Para além do confronto militar na génese da vila, pretendia continuar a acrescentar episódios da história da Batalha, que tem muitas etapas, provavelmente tantas quantas os degraus que dão acesso ao túnel.

“A ideia era acompanhar a história toda, caminhando. Pode vir a ser um ponto de interesse turístico e espero que seja princípio de uma história, no futuro”, afirma.