Cláudia, 21 anos, estudante de enfermagem que decidiu participar num processo legal contra 33 países para exigir responsabilidades em matéria climática, defende que uma recuperação saudável da pandemia de covid-19 exige medidas radicais em termos ambientais.

“As alterações climáticas são a maior ameaça ao meu futuro e ao futuro da minha geração”, afirmou a estudante de Leiria durante uma conferência de imprensa online promovida pela GLAN, organização internacional sem fins lucrativos que está a promover um processo junto do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem contra 33 países, tendo como requerentes seis jovens portugueses, entre os quais se encontram crianças.

Ao apresentar a defesa da causa, Cláudia recordou que em 2017 assistiu “com horror” aos “incêndios florestais mortíferos” em várias zonas do país, incluindo a região de Leiria, onde vive: “Nesse momento pensei claramente que as alterações climáticas estão a fazer do mundo um lugar cada vez mais perigoso e que a minha geração está cada vez mais vulnerável e sem perspetivas de futuro”.

Para a estudante de enfermagem, as alterações climáticas são uma crise de saúde pública. “A nossa saúde depende da saúde do meio em que vivemos”, disse, durante uma conferência de imprensa partilhada com responsáveis da GLAN (Global Legal Action Network).

“Sabemos que as ondas de calor e as catástrofes naturais vão matar cada vez mais pessoas. Precisamos de sair da crise da covid-19 com muito mais resiliência do que antes, precisamos de uma recuperação saudável e para isso não chega reconhecer que a emergência climática existe”, sustentou.

Aos governos exigiu ações imediatas e radicais para restaurar a saúde pública.

De acordo com a organização da iniciativa, os jovens pedem ao tribunal que responsabilize 33 países, entre os quais Portugal, por impulsionarem a crise climática.

A apresentação do processo ocorre depois de Portugal ter registado o mês de julho mais quente em noventa anos.

Quatro dos jovens vivem em Leiria, uma das regiões mais afetadas pelos incêndios florestais que “mataram mais de 120 pessoas em 2017”, referem os promotores do processo. Os outros dois vivem na zona de Lisboa onde, durante a onda de calor de agosto de 2018, foi registada uma nova temperatura recorde de 44 graus.

Na queixa, alegam que os governos visados não estão a decretar cortes profundos e urgentes nas emissões poluentes, “necessários para salvaguardar o futuro dos jovens requerentes”.

Os países alvo de processo são: Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, República Checa, Alemanha, Grécia, Dinamarca, Estónia, Finlândia, França, Croácia, Hungria, Irlanda, Itália, Lituânia, Luxemburgo, Letónia, Malta, Países Baixos, Noruega, Polónia, Portugal, Roménia, Rússia, República Eslovaca, Eslovénia, Espanha, Suécia, Suíça, Reino Unido, Turquia e Ucrânia.

A GLAN define-se como uma organização que trabalha com o objetivo de interpor ações legais inovadoras além-fronteiras para enfrentar intervenientes poderosos envolvidos em violações dos direitos humanos e injustiças recorrentes, trabalhando com as comunidades afetadas. Tem escritórios no Reino Unido e na Irlanda.