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Leiria

Número de vítimas imigrantes de violência doméstica dispara em Leiria

A Mulher Século XXI registou este ano menos novos casos de violência doméstica do que em 2019, por força da pandemia. Os pedidos de ajuda estão a começar a chegar agora

O número de vítimas imigrantes de violência doméstica que procuraram apoio na associação Mulher Século XXI, em Leiria, duplicou face a 2019, passando de 15 para 34.

Susana Ramos Pereira, presidente da associação, diz-se surpreendida com a procura por parte de imigrantes, vítimas, sobretudo, dos seus companheiros.

“Observámos um aumento para 34 vítimas, comparativamente com as 15 vítimas no mesmo período de 2019. Será que se deve exclusivamente ao aumento de imigrantes na região? Será resultado do crescimento do desemprego? São pessoas que estão cá há um ou dois anos. É um aumento grande demais, que deve ser estudado pelos parceiros da rede”, disse à Lusa a presidente da Mulher Séc. XXI – Associação de Desenvolvimento e Apoio às Mulheres.

Até 31 de outubro, o Centro de Atendimento às Vitimas de Violência Doméstica do Distrito de Leiria atendeu 147 casos novos (menos 14 do que em 2019), sendo 137 mulheres e dez homens. Destes casos, 16 relacionam-se com idosos.

Já o número de acompanhamentos ultrapassou este ano o de 2019, tendo sido realizados 1.003 (mais 140 do que no ano passado). Para esta evolução, terá contribuído o aumento do atendimento por telefone.

“Não houve menos violência doméstica, mas o confinamento obrigou ao silêncio. As vítimas estavam mais controladas e com maior dificuldade em pedir ajuda. Muitas procuram agora, também auxílio para o processo de separação, já que a casa de família deixou de ser um porto de abrigo e passou a ser uma prisão”, sublinha Susana Ramos Pereira.

Os pedidos de ajuda, revela, estão a começar a chegar agora. “Temos tido mais procura nos atendimentos, com vítimas a mostrarem muito medo. Têm pedido apoio à nossa jurista e ao nível psicológico. Têm a autoestima destruída. A pandemia escondeu as situações, que vão surgir agora”, adianta.

Segundo a presidente da Mulher Séc. XXI, tem sido também prestado muito apoio psicológico através de videoconferência junto das vítimas. Em contrapartida, a pandemia diminuiu a capacidade de resposta desta organização não governamental ao nível do acolhimento de emergência.

Em 2020, a associação acolheu 48 vítimas, das quais 17 crianças (descendentes diretas), quando em 2019 o número foi de 88 vítimas (35 crianças).

“A nossa estrutura tem uma lotação para oito vítimas. São três quartos, mas com o cumprimento das normas impostas pela Direção-Geral da Saúde, que obrigam a um período de isolamento de 14 dias em cada entrada na resposta de acolhimento, faz com que o número real de vagas existentes diminua para um terço da sua capacidade”, constata.

Para assinalar o Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra a Mulheres, que se comemora no dia 25 de novembro, a associação irá lançar uma campanha digital.

O Observatório das Mulheres Assassinadas (OMA) contabilizou 30 mulheres assassinadas entre 1 de janeiro e o dia 15 de novembro, 16 das quais em contexto de relações de intimidade, 12 em contexto familiar e as outras duas noutros contextos.

Associação Mulher Séc. XXI

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Tel. 800 210 340

Com redação