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Covid-19

Covid-19: Surto em lar da Barreira com 64 casos positivos entre utentes e profissionais

Um dos utentes infetados faleceu esta sexta-feira. O surto foi detetado no final de novembro, tendo alguns funcionários já regressado ao serviço

Um surto de Covid-19 detetado no final de novembro no lar da ADESBA – Associação de Desenvolvimento e Bem Estar Social da Freguesia da Barreira, concelho de Leiria, infetou 38 idosos e 26 funcionários, num universo de 58 utentes e 68 colaboradores.

Um dos idosos infetados, que teria outras comorbilidades (doenças associadas), faleceu esta sexta-feira na instituição, confirmou o REGIÃO DE LEIRIA junto da direção, que diz contudo não poder confirmar a causa do óbito.

Segundo Luís Viana, presidente da direção da ADESBA, não há utentes hospitalizados, tendo alguns funcionários já retomado o serviço.

Sublinhando a vulnerabilidade dos idosos face à doença e para tentar travar novos contágios, Luís Viana frisa que o assunto “está a ser tratado como se todos os utentes estivessem infetados” para os proteger . “Tem sido este o nosso princípio para tentar combater o assunto com o cuidado que merece”, nota.

“Estamos a combater uma doença que é muito contagiosa”, lembra ainda, adiantando que o foco de contágio não estará relacionado com visitas uma vez que estas estão há muito suspensas. As famílias “têm ajudado muito” e estão a ser informadas a todo o momento do estado dos seus familiares.

Luís Viana realça por outro lado o empenho e a dedicação de toda a equipa para garantir os cuidados necessários aos utentes “com a dignidade de sempre”.

“Os nossos funcionários têm sido heróis, conseguem ir buscar forças onde não as têm. Em situações normais não pedíamos às pessoas para fazerem o esforço que estão a fazer mas elas percebem que temos de ser nós a agarrar o barco”, acrescenta o responsável. Entre colaboradores infetados e em isolamento profilático, a equipa sofreu uma redução considerável, que tem sido colmatada com o apoio de voluntários e de dois elementos destacados através da Cruz Vermelha de Leiria.

“Não é fácil lidar com idosos em isolamento. Sentem-se abandonados mas não é o caso. Tentamos dar-lhes todos os cuidados com o máximo de dignidade mas parecemos astronautas vindos de Marte. É muito violento para eles e só quem está nisto é que sente isto. Isto não se consegue traduzir em palavras, nem em imagens, é muito complicado. Há utentes que questionam as nossas medidas e não compreendem porque é que os mantemos afastados da família”, adianta ainda Luís Viana. 

Segundo o responsável, o surto está limitado à valência de lar, não havendo registo de casos no serviço de apoio domiciliário, estando as equipas e os circuitos separados desde o início da pandemia.

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