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Leiria

Empresa da Estónia pagou madeira do Pinhal mas não a levou

Segundo o secretário de Estado das Florestas, a verba de 16 milhões de euros, resultante da venda da madeira ardida, não será suficiente para custear todo o investimento previsto para o Pinhal. Mas “não vai haver falta de dinheiro”, garantiu

Madeira do Pinhal de Leiria empilhada

Há madeira ardida no Pinhal de Leiria que, apesar de comprada, não foi removida. A revelação foi feita por Nuno Banza, presidente do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), na terça-feira, 15, no Parlamento.

Atualmente, adiantou, “está removida a madeira de 99% da área ardida”. Ainda assim, registaram-se alguns entraves no processo. Uma das empresas estrangeiras que compraram lotes de madeira ardida, deixou por cortar madeira que comprou. Uma empresa da Estónia, adquiriu e pagou três lotes e só cortou um. A situação desencadeou um processo que demorou meses a resolver e que avançou para a realização de novo procedimento para a retirada da madeira, explicou. Na prática, a empresa pagou madeira que tem de ser novamente vendida para ser retirada.

Já no que se refere à recuperação do Pinhal, João Paulo Catarino, secretário de Estado das Florestas, referiu ser necessário esperar pela última germinação no Pinhal, para se poder avançar com o Plano de Gestão Florestal daquela Mata. “Temos primeiro que ter a certeza absoluta do que cada talhão vai ter e de que proveniência são as plantas”, adiantou o governante, na audição na comissão de Agricultura e Mar da Assembleia da República, requerida pelo BE, sobre a recuperação das matas litorais ardidas.

No início da audição, Francisco Castro Rego, presidente do Observatório Técnico Independente do Parlamento, adiantou considerar “incompreensível que mais de três anos depois do incêndio, não haja alteração do plano de gestão florestal” do Pinhal. “O planeamento poderia ter começado desde logo”, apontou.

Os resultados alcançados na recuperação do Pinhal, consumido em 86% em outubro de 2017, estiveram em foco na audição que decorreu durante cerca de quatro horas. “O ICNF, entre 2019 e 2022, tem já projetos em curso para intervir em mais de 3.300 hectares, a que corresponde um investimento de mais de 4,3 milhões de euros”, avançou o secretário de Estado das Florestas, referindo-se à recuperação da Mata Nacional de Leiria.

Além dessa verba, “entre 2021 e 2024, o ICNF encontra-se a ultimar projetos para intervir numa área superior a 6.000 hectares, com um investimento estimado de 4,1 milhões de euros”, indicou o governante, contabilizando 8,4 milhões de euros até 2024.

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