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Saúde

Perguntas & Respostas: Há três tipos de testes em Portugal. Sabe quais as orientações para cada um?

O que distingue os testes moleculares dos rápidos e dos serológicos? Há timings próprios para fazer um teste? Rui Passadouro, médico de Saúde Pública do ACES PL, esclarece aqui estas e outras questões

Enfermeira realiza teste com zaragatoa a um jovem


1. Em que situações é determinada a realização de um teste de diagnóstico para o novo coronavírus?
Em caso de suspeita de doença, é sempre recomendada a realização do teste, cumprindo as recomendações da Direção-Geral da Saúde. A suspeita baseia-se na apresentação de sintomas.

2. O que distingue os vários tipos de testes?
Temos em Portugal três tipos de testes: moleculares, rápidos de antigénio e serológicos.
Os testes moleculares são o método de referência para o diagnóstico e detetam presença do vírus SARS-CoV-2 em produto biológico extraído por zaragatoa do nariz e da garganta. Os resultados devem ser conhecidos entre 12 a 24 horas pois, antes da analise, é necessário replicar o material recolhido (RNA) múltiplas vezes.
Os testes rápidos de antigénio identificam proteínas do vírus, sendo o material biológico colhido por zaragatoa, mas o resultado fica disponível em 20 a 30 minutos. Este teste tem indicação precisa, devendo ser utilizado nos primeiros cinco dias de doença, de forma a diminuir os falsos negativos. Também podem ser usados nos rastreios quando os moleculares não estão disponíveis.

3. O que são os testes serológicos?
Os testes serológicos avaliam se a pessoa desenvolveu anticorpos para a Covid-19, a partir de uma gota de sangue. Se desenvolveu é sinal de que esteve em contacto com o vírus. Porém não são utilizados para o diagnóstico da Covid-19 por não existir evidência científica suficiente sobre o significado da presença dos vários anticorpos no sangue.

4. Qual é a sensibilidade de cada um destes testes?
Os testes rápidos de antigénio têm sensibilidade superior a 90%. Quanto aos testes moleculares, tanto a sensibilidade como a especificidade são superiores a 99%.

5. Um contacto com um caso positivo é sempre critério para a realização de teste?
De acordo com a evidência científica, um contacto com um positivo não tem sempre indicação para fazer teste.

6. Se houver essa indicação, quanto tempo após o contacto deverei esperar para fazer o teste?
Após o contacto com uma pessoa infetada o período de incubação pode ir de 2 a 14 dias. Assim, nos primeiros dias a probabilidade de se ter desenvolvido a resposta do organismo ao vírus é pouco provável. Talvez entre o 5º e o 7º dia, na maioria das pessoas, já possa ser detetado o vírus.

7. Se o resultado for negativo, posso sair de casa e regressar ao trabalho ou à escola?
A realização do teste não altera as orientações se o teste for negativo. Sendo o período de incubação até 14 dias, o isolamento deve durar também 14 dias. Logo não pode sair de casa nem ir ao trabalho antes de terem decorrido 14 dias após o último contacto com o indivíduo infetado.

8. Quando é que é necessário repetir um teste?
Após um teste positivo não há indicação para repetição de teste para determinar a cura. Se o doente estiver três dias sem febre e com melhoria significativa dos sintomas pode ter alta, sem teste, ao 10º dia se a doença foi ligeira a moderada, ou ao fim de 20 dias se a doença foi grave ou crítica.

9. Que entidades podem prescrever testes de diagnóstico?
Na suspeita de doença, os testes podem ser prescritos por qualquer médico ou pela linha SNS24.

10. Qual a vantagem de uma empresa ou instituição fazer testes a toda a equipa?
Os testes de rastreio dão uma imagem dos trabalhadores perante a Covid num determinado dia, permitindo isolar doente de não doente. Contudo, se não houver ninguém sintomático a probabilidade de haver positivos é baixa. No entanto, perante a existência de alguém positivo numa empresa, o rastreio a todos o trabalhadores pode ter muita utilidade na quebra das cadeias de transmissão da doença.

Os testes rápidos são utilizados se houver sintomas, apenas nos primeiros cinco dias de doença, de forma a diminuir os falsos negativos. O teste molecular é a referência para o diagnóstico e rastreio da infeção por SARS-CoV-2”

Rui Passadouro, delegado de Saúde Pública no ACES Pinhal Litoral

11. Vou ter de viajar. Preciso de fazer um teste?
Há muitos países que exigem teste negativo à entrada. Recomendo a pesquisa desses países no site das companhias aéreas, nomeadamente da TAP.

12. Quais as vantagens em fazer testes serológicos?
Presentemente, não são utilizados para o diagnóstico da Covid-19 por não existir evidência científica suficiente sobre o significado da presença dos vários anticorpos no sangue.

13. Quem pode ou deve fazer este teste, e em que circunstâncias?
Não há indicação para a realização com a finalidade de diagnóstico.

14. Posso fazer este teste por iniciativa própria?
Sim, pois estão disponíveis no mercado. Podem também ser prescritos por médicos em circunstâncias muito específicas, nomeadamente no caso de haver dúvida se o doente já esteve em contacto com o vírus. No entanto, não são comparticipados pelo SNS.

15. Fiz um teste serológico, e comprovou que estive em contacto com o vírus e desenvolvi anticorpos. Significa que estou protegido?
Essa é uma pergunta muito pertinente, mas a resposta não é fácil pois, neste momento, ainda não se consegue correlacionar os valores apresentados no teste imunológico com aqueles que conferem imunidade, nem sequer quanto tempo essa imunidade se vai manter.

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(Artigo publicado na edição de 10 de dezembro de 2020 do REGIÃO DE LEIRIA)

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