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Mercado

Empresa exporta borregos para Arábia Saudita e constrói fábrica de rações

Na Lagoa do Furadouro, em Ourém, a empresa de produção de animais, comércio e exportação de carnes prevê fechar o ano a faturar mais cinco milhões de euros em relação ao último ano, ultrapassando os 20 milhões de euros.

Família dedica-se há quatro gerações ao negócio: José António Martins e Marco Martins Foto: LO

Há cerca de 20 anos que em França se consome borrego português, mas não é o único mercado da empresa Martins e Constantino, Lda, com sede em Lagoa do Furadouro, concelho de Ourém. Segue-se Itália, mas também Israel, desde 2018.

O interesse pela “qualidade” do borrego que vende já trouxe interessados da Arábia Saudita e leva agora o produtor José António Martins a “apostar mais e com mais qualidade” naquilo que faz. Leia-se também internacionalização.
Mas a tónica do negócio é a qualidade da carne e a saúde animal, faz questão de destacar o empresário enquanto acentua o trabalho de certificação de bem-estar animal nas explorações da empresa. A exigência ao nível da segurança alimentar, o cumprimento dos intervalos de segurança são norma. Na exploração em Ourém encontram-se entre 10 a 50 mil cabeças de gado, de diferentes raças.

A carne é tenra e saborosa, garante o produtor. Em tempo de Páscoa, Natal e também no São João, o borrego apresenta-se à mesa e aquele que chega a casa dos portugueses, através da parceria com a cadeia de supermercados Pingo Doce, sai da Martins e Constantino, Lda.

Há quatro gerações que a criação de gado faz parte da vida da família. O atual patriarca, José António Martins, recorda-se dos tempos em que o seu avô conduzia mil borregos, a pé, perto de Ourique, no Alentejo. E recorda-se também dos seus tempos de menino, em que, além da escola, fazia parte das suas tarefas, pastorear os animais. Hoje, conta com a ajuda do filho Marco, que trabalha no negócio.

Na Páscoa de 2020, apesar dos receios da pandemia, foram vendidas mais de 440 toneladas de borrego nacional, de 400 produtores, com o rótulo da empresa criadora de ovinos. Foram vendidos 45 mil borregos em três semanas, diz, com orgulho o produtor. Neste São João, foram mais de sete mil borregos em duas semanas. Fundada em 1994, a Martins & Constantino, Lda desenvolve a sua atividade em 60 hectares no concelho de Ourém e possui explorações em Odemira e Caldas da Rainha.

Investimentos

“Temos vindo a crescer muito”, afirma José António Martins, que perspetiva o ano de 2021 com “mais de cinco milhões de euros de faturação”, num volume global que ultrapassará os 20 milhões de euros.

O futuro faz-se já com um investimento em mira numa fábrica de rações, a instalar na zona industrial de Vilar dos Prazeres, a 2 km da exploração. A fábrica que terá 20 metros de altura e uma forte preocupação ambiental, com menos motores, mas maior investimento, que rondará os três milhões de euros.

A unidade fabril destina-se, numa primeira instância, a um maior controlo da alimentação dos animais, mas também servirá o mercado local. “Já agora há por aqui muita gente que vem buscar farinha. E também é útil para a terra”, esclarece o empresário, apontando para a criação de mais de uma dezena de postos de trabalho. A sua expectativa é que a obra se inicie em setembro e no próximo ano possa “estar pronta”.

O futuro passa também por uma sala de desmanche de animais. “Já tenho terreno”, realça José António Martins, adiantando que “o mercado vai dizer” quando avançará com o investimento. Até agora, nunca teve apoios. E mesmo que a candidatura para a fábrica não receba financiamento comunitário, a obra vai avançar, garante o empresário.

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