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Cantinho dos Bichos

Amigos do Arunca lançam crowdfunding para apadrinhar grifo resgatado em Pombal

A segunda maior ave necrófaga da Europa pousou no muro de uma casa em Pombal. O grupo de cidadãos que a resgatou quer apadrinhá-la e ajudar com os custos da recuperação.

O grupo Amigos do Arunca está a promover uma recolha de donativos online para apadrinhar um grifo, resgatado no final de setembro, em Casal Velho, no concelho de Pombal.

O animal está aos cuidados do Centro de Estudos e Recuperação de Animais Selvagens de Castelo Branco (CERAS), da Quercus, onde permanece a recuperar até poder ser devolvido ao seu habitat natural.

A campanha lançada pelo grupo de Pombal, esta quinta-feira, dia 14, tem como meta os 500 euros e permanecerá ativa até 24 de outubro.

Para contribuir basta aceder à plataforma de crowdfunding, onde o Amigos do Arunca sublinha que “todo o valor obtido em campanha será direcionado para o CERAS”, onde o grifo foi acolhido.

O grifo (Gyps fulvus) foi resgatado no dia 24 de setembro, na localidade de Casal Velho, em Pombal, depois de ser visto apático, pousado no muro de uma casa.

Emanuel Rocha, do grupo Amigos do Arunca, foi alertado para a presença da ave e as fotografias enviadas pelo dono da habitação fizeram soar o alarme: “Eu percebi que o senhor tinha a mão muito perto do bico e fiquei assustado, porque um animal daqueles não deixa, por norma, que tenhamos a mão onde ele possa morder”, explicou, na ocasião, ao REGIÃO DE LEIRIA.

Esta é a segunda maior ave necrófaga da Europa e não é habitual observá-la na região de Leiria. Menos usual será que deixe as pessoas aproximarem-se.

A somar a isso, já junto do animal, Emanuel Rocha, que é um entusiasta das aves e membro do grupo Amigos do Arunca, percebeu que o animal tinha fezes verdes, sinal indicativo de que poderia ter sido envenenado.

Ainda naquela sexta-feira, Emanuel Rocha contactou o Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR de Leiria, mas não havia meios disponíveis para o resgate naquele dia.

Apesar disso, não desistiu. Pediu ao Canil Municipal de Pombal uma gaiola de transporte e a uma empresa local uma viatura e levou a ave até ao CERAS. Pelo caminho, deu boleia à filha, Matilde, que “gosta muito de ir observar aves” com o pai e ficou deslumbrada com o animal.

A 28 de setembro o CERAS partilhou uma atualização do estado da ave, onde explica que “está a recuperar bem” e subiu dos 4,8 para os 5,6 quilos de peso. O animal está agora numa zona exterior do centro, junto com outros grifos e abutres-pretos.

Emanuel Rocha afirmou que este caso prova como é importante procurar ajuda quando é avistado um animal num local pouco comum e com um comportamento estranho. “Se alguma coisa não está bem [com um animal], alertem, procurem, de certeza que vai haver alguém que ajuda”, completou.

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