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Teatro

“Aurora Negra” em Leiria contra a invisibilidade dos corpos negros nas artes

Sexta-feira, 22 de outubro, o Teatro José Lúcio da Silva recebe o espetáculo vencedor da Bolsa Amélia Rey Colaço, onde se fala criolo, tchokwe e português para nos fazer sentir estrangeiros no nosso próprio país.

Estreou em 2020, ano do assassínio do ator Bruno Candé num ato de racismo, no palco do Teatro Nacional D. Maria II, a única rainha europeia nascida numa colónia em época de tráfico massivo de gente de África para as Américas, para o trabalho escravo. “Aurora Negra”, o espetáculo criado interpretado por três mulheres negras, chega a Leiria esta sexta-feira.

No Teatro José Lúcio da Silva, Cleo Tavares, Isabél Zuaa e Nádia Yracema contrariam a constante invisibilidade dos corpos negros nas artes performativas, revelando as suas experiências individuais, num exercício que procura desconstruir estereótipos a partir das memórias de cada uma, reunidas desde a infância ao percurso profissional nas artes.

A questão central em “Aurora Negra” não se restringe, naturalmente, ao contexto performativo. Pelo contrário, ali reflete-se uma realidade que se estende da sociedade portuguesa aos palcos.

Por isso, as três mulheres em cena, além do português, falam crioulo (de Cabo Verde) e tchokwe (de Angola), transmitindo ao espectador a sensação que elas sentem em Portugal: a de estar na condição de estrangeiro no seu próprio país, como acontece com muitos africanos que, nas suas próprias terras-natal, têm o português como língua oficial.

O espetáculo venceu a Bolsa Amélia Rey Colaço, atribuída pelo Teatro Nacional D. Maria II para apoiar a produção de espetáculos jovens artistas e companhias emergentes, procurando a renovação teatral.

Em Leiria, “Aurora Negra” é apresentado na sexta-feira, 22 de outubro, às 21h30, no Teatro José Lúcio da Silva. Os bilhetes custam 10 euros e podem ser adquiridos online aqui.

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