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Cantinho dos Bichos

Será racismo? Não, é uma petição online sobre maus-tratos a animais

Um equídeo morto por espancamento na Marinha Grande deu origem à petição “Comunidade Cigana e seus animais – até quando a impunidade?” que está a reunir assinaturas e críticas.

“Gostaria de sublinhar que não se trata de racismo”. A garantia é dada por Carla Cagido, voluntária da APAMG (Associação Protectora dos Animais da Marinha Grande) que reitera os factos que sustentam uma petição pública a correr na internet intitulada “Comunidade Cigana e seus animais – até quando a impunidade?”.

A petição já angariou quase 1.600 assinaturas

Em poucos dias, a petição reuniu cerca de 600 assinaturas. Mas também críticas. Nas redes sociais, não faltou quem tenha considerado que colocada a questão deste modo, ela encerra em si um discurso racista. Será? Os signatários sublinham: “que a nossa exigência não seja confundida com racismo ou xenofobia”.

A petição surge depois de recentemente ter sido denunciado o caso de um equídeo morto por espancamento na via pública, na Marinha Grande. Carla Cagido explica que, no concelho, são diversos os casos de animais, sobretudo equídeos, que são maltratados ou abandonados para morrer. Usualmente, esses animais são pertença de pessoas da comunidade cigana, explica. As autoridades são alertadas para os abusos ou maus-tratos, mas os resultados são inexistentes, acrescenta. Esta voluntária da associação protetora dos animais assegura que este não se trata de um problema de racismo, mas tão só de fazer valer a lei de forma igual para todos.

“Se a lei for aplicada, as pessoas pensam duas vezes antes de maltratar os animais”, defende. Pretensão idêntica à dos signatários da petição dirigida à Câmara e Junta da Marinha Grande, PSP e GNR.

Instado a comentar a petição, Álvaro Pereira, presidente da Câmara da Marinha Grande considera ser “motivo de forte preocupação a ocorrência de situações de maus-tratos de animais”, sublinhando a importância das autoridades apurarem responsabilidades, apelando a um reforço da ação preventiva e repressiva da Di­reção-Geral de Veterinária.

Já o comando distrital da PSP de Leiria, assegura que por parte da PSP da Marinha Grande ou do comando distrital “não existem quaisquer tratamentos diferenciados em relação aos elementos da comunidade cigana que habitam aquela cidade”. Assegura mesmo que a PSP “manifesta e manifestará sempre toda a disponibilidade para trabalhar no sentido do reforço e aplicação das leis de proteção aos animais”.

O comando distrital da PSP adianta que não conta com nenhuma ocorrência registada como sendo da “morte de equídeo por espancamento na via pública”. Esclarece, contudo, o teor de uma ocorrência reportada a 12 de janeiro: “foi comunicada a existência de  um equídeo morto num terreno adjacente à Urbanização das Olaias – Marinha Grande. Confirmado tal facto, foram contactados e informados os serviços da Câmara da Marinha Grande, bem como a veterinária municipal que já eram conhecedoras do facto e que iriam proceder à remoção do animal durante a tarde desse mesmo dia”.

A petição

A petição, que começou a circular nas redes sociais há cerca de três semanas, angariou quase 1.600 assinaturas. Ao início da tarde desta segunda-feira, 1.599 pessoas já tinham emprestado o seu nome ao documento que defende o reforço da atuação das autoridades junto da comunidade cigana, visando a real aplicação da legislação de defesa dos direitos dos animais.

(Notícia publicada na edição de 31 de janeiro de 2013 e atualizada a 11 de fevereiro de 2013)

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