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Saúde

Câmara diz ser preciso “esforço muito grande” para evitar novas limitações na Urgência Geral do hospital de Leiria

Gonçalo Lopes reuniu esta quinta-feira com responsáveis do Centro Hospitalar de Leiria e do Agrupamento de Centros de Saúde Pinhal Litoral, para analisar a limitação no acesso ao serviço de urgências

O presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, reconheceu hoje ser necessário um “esforço muito grande” para evitar que se repitam novas limitações na Urgência Geral do Hospital de Santo André, em Leiria.

“Fiquei perfeitamente confiante de que situações destas não se irão repetir, necessitando, naturalmente, de um esforço muito grande de organização e de gestão dos recursos humanos que são escassos e que estão ao dispor do hospital de Leiria”, afirmou à agência Lusa Gonçalo Lopes.

Para o autarca, “isso vai obrigar a uma ginástica de gestão de recursos humanos muito grande para que, de facto, nos próximos meses, se consiga garantir as melhores condições de atendimento no hospital”.

Gonçalo Lopes falava após uma reunião, nos Paços do Concelho, com responsáveis do Centro Hospitalar de Leiria (CHL), de que faz parte o Hospital de Santo André, e do Agrupamento de Centros de Saúde Pinhal Litoral, que visou analisar a limitação no acesso ao Serviço de Urgência Geral daquela unidade hospitalar e estabelecer linhas de trabalho.

Na terça-feira, o CHL anunciou que o acesso ao serviço de Urgência Geral do Hospital de Santo André iria estar limitado entre as 22 horas desse dia e as 8 horas de quarta-feira, e admitiu “o possível reencaminhamento de alguns doentes para as Urgências do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra”.

O presidente do município adiantou que da reunião houve uma manifestação em “colaborar de uma maneira mais regular naquilo que são medidas para mitigar e evitar situações de picos de afluência aos hospitais, em especial às urgências”.

Nesse âmbito, o autarca exemplificou que uma das soluções está ligada “à literacia em saúde, com o objetivo de esclarecer as populações do que é o funcionamento deste tipo de serviços”.

“Por outro lado, também foram identificadas algumas ações que podem tornar mais atrativo o trabalho nas urgências por parte dos médicos, com um conjunto de medidas que poderão ser identificadas para serem oferecidas”, nomeadamente nas áreas do alojamento e da mobilidade, disse.

Gonçalo Lopes acrescentou que ficou igualmente definido que estas reuniões passam a ter caráter regular, uma vez que a pressão que existe hoje no Serviço Nacional de Saúde “vai aumentar”, resultado do período de inverno que se avizinha, mas também devido ao “esforço do período pós-pandemia [de Covid-19], que necessita deste tipo de organização e de planeamento”.

O CHL justificou a limitação no acesso à Urgência Geral com o facto de “continuarem a acorrer ao CHL muitas falsas urgências”.

A medida foi também justificada por as “Urgências da ADR [Área Dedicada para Doentes Respiratórios] do Hospital das Caldas da Rainha do Centro Hospitalar do Oeste terem encerrado” na segunda-feira e “estarem a ser reencaminhados doentes” para o hospital de Leiria.

Outra razão prendeu-se com o facto de ainda na segunda-feira “se ter registado o recorde desde 1 de janeiro deste ano do número de doentes atendidos no Serviço de Urgência Geral” do Hospital de Santo André “de 404 doentes, sem que tenha sido possível, não obstante todos os esforços, alocar reforços médicos necessários para uma resposta compatível”.

Em 17 de setembro, o CHL anunciou o aumento do valor a pagar aos médicos generalistas para exercício de funções no serviço de Urgência Geral do hospital de Leiria, uma das medidas para “resolver as dificuldades sentidas” neste serviço que “tem registado uma forte afluência de utentes”.

Então, o CHL considerava que este excesso de procura refletia a falta de resposta dos centros de saúde da região e o aumento do número de casos Covid-19 na sua área de influência.

Salientando que “a ausência de alternativas para os utentes tem condicionado o funcionamento” da Urgência, o CHL reconheceu que a esta situação se soma “a efetiva e conhecida situação de escassez de recursos humanos e, em particular, de pessoal médico”.

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