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Saúde

Hospitalização domiciliária chegou a 390 doentes no primeiro ano de funcionamento

A unidade funciona 24 horas por dia e dispõe de duas unidades móveis a partir deste ano.

imagem de dois elementos da equipa da unidade de hospitalização domiciliária

A Unidade de Hospitalização Domiciliária (UHD) do Centro Hospitalar de Leiria (CHL) tratou 390 doentes, entre junho de 2020 e junho de 2021, disse à agência Lusa a responsável pelo serviço, Amália Pereira.

Segundo a médica, a UHD prestou cuidados de saúde no domicílio a um total de 390 doentes, dos quais 63 infetados pelo SARS-CoV-2.

O balanço de um ano de funcionamento aponta a realização de 3.385 visitas domiciliárias, num total de 58.085 quilómetros percorridos pelos concelhos da área de influência do CHL, que integra os hospitais de Leiria, Alcobaça e Pombal.

Equipa da Unidade de Hospitalização Domiciliária do CHL. Fotos de arquivo

Para a unidade, foram referenciados 585 doentes, com uma demora média de sete a nove dias, com um total de 2.877 dias de internamento.

A UHD – que foi destaque da edição deste ano da revista da saúde do REGIÃO DE LEIRIA – funciona 24 horas por dia, conta com o apoio permanente de enfermagem e passou a contar com duas unidades móveis a partir deste ano.

As equipas são constituídas por médicos internistas, enfermeiros, assistente social, nutricionista, assistente operacional, secretária clínica e uma gestora.

“Os doentes e os cuidadores têm disponível o contacto telefónico da equipa de prevenção para qualquer situação. Caso não se consiga resolver a situação no domicílio do doente, as emergências ou urgências são diferidas para o Serviço de Urgência com ou sem a participação do INEM através da Viatura Médica de Emergência e Reanimação, sempre com a participação da equipa da UHD”, explicou Amália Pereira.

A responsável revelou que 43% das patologias estão relacionadas com o trato geniturinário, com necessidade de antibioterapia endovenosa durante o tempo completo de tratamento, 21% são infeções respiratórias, como pneumonias da comunidade e traqueobronquites agudas, e 18% referem-se a infeções da pele e tecido celular subcutâneo, sobretudo pés diabéticos infetados referenciados da consulta de pé diabético.

Para Amália Pereira, a mais-valia deste serviço é permitir ao doente “o direito a ser tratado em sua casa com a sua privacidade, com as suas coisas, com os seus familiares, sem estar a partilhar uma enfermaria com outros doentes”.

Por outro lado, evitam-se as infeções hospitalares, “talvez uma das mais importantes, sobretudo, nos doentes que têm que ter internamentos prolongados, pois a infeção hospitalar é uma das principais causas de mortalidade e morbilidade hospitalar”.

Apenas três doentes regressaram ao hospital “por cansaço do cuidador” e dez reinternamentos foram verificados por incapacidade do cuidador ou por agudização relacionada com o motivo de internamento ou comorbilidades.

Para o CHL, esta unidade permite libertar camas “para dar lugar a doentes mais instáveis e agudos”.

A UHD foi também acreditada pela Joint Commission International (JCI).

“Evidencia que as nossas práticas em casa dos doentes são tão seguras e de qualidade como a nível hospitalar (o CHL já era acreditado pela JCI como unidades de internamento convencionais), apesar de toda a logística de transporte da medicação, colheita e transporte dos materiais biológicos, etc. Os nossos doentes já nos conhecem, mas não conheciam os processos e os procedimentos. A partir de agora, podem ter a certeza que os cuidados que prestamos estão em conformidade com as normas e regras nacionais e internacionais de segurança e qualidade em saúde”, sublinhou Amália Pereira.

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