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Leiria

A Inquisição acabou há 200 anos e Leiria vai recordar as marcas que deixou

“Bruxos e bruxas da região de Leiria” e “Os Cristãos-novos de Leiria e a Inquisição” são dois dos temas a abordar no encontro que se realiza sábado, 6 de novembro, no Centro de Diálogo Intercultural de Leiria – Igreja da Misericórdia.

Criado em Portugal em 1536, o Tribunal do Santo Ofício seria extinto, já enquanto Tribunal da Inquisição, a 31 de março de 1821. Foi há 200 anos, portanto, que terminou um longo período dessa instituição que, fundada para defesa da pureza da fé, deixou um rasto de perseguições, prisões e condenações à morte de muitos homens e mulheres, fossem “cristãos-novos, mouriscos, protestantes, bruxas e feiticeiros, sodomitas, bígamos, falsos profetas e clérigos desviados da ortodoxia eclesiástica, entre tantos outros casos de vida”, recorda o historiador Saul António Gomes.

Este sábado, 6 de novembro, Leiria recorda e debate o legado da Inquisição em Portugal, na região e na cidade, no encontro Científico “1821-2021 – Nos 200 Anos da Extinção do Tribunal do Santo ofício – Impactos da Inquisição na Região de Leiria”, que reúne especialistas no Centro de Diálogo Intercultural de Leiria – Igreja da Misericórdia.

O programa decorre entre as 14 e as 18 horas e é aberto a todos, com entrada gratuita, bastando realizar inscrição pelo e-mail cdil@cm-leiria.pt, ou telefone  244 839 677.

A fama da Inquisição chega até aos dias de hoje, tal o impacto da atuação daqueles que em seu nome “privilegiaram a denúncia e o medo, as fobias antissemitas, o cárcere e a tortura, sequestros de bens e desterros, os autos-da-fé e o relaxamento à fogueira daqueles que os inquisidores sentenciaram como delinquentes e relapsos da Fé”, recorda Saul António Gomes.

Leiria e a região não escaparam ao braço da Inquisição, havendo registo de anos de grandes prisões de cristãos-novos na cidade, frisa o historiador. Mas também, entre a população de Leiria, havia agentes e familiares do Santo Ofício, bem como bispos e outros eclesiásticos da diocese, que eram envolvidos nos atos dos tribunais da instituição.

“O presente encontro científico propõe-se trazer a Leiria um forum de estudo e de reflexão em torno desse passado de extrema violência, precisamente na passagem dos 200 anos após a extinção da Inquisição, num momento em que, na Europa e no Mundo, entre memória e eclipses de utopias de cidadania, ressurgem as batalhas, contra totalitarismos e racismos, em torno dos valores identitários da Liberdade, da Democracia, da Justiça e da Tolerância”, avança Saul António Gomes.

O programa contempla intervenções de Maria de Fátima Reis, que integra a Cátedra de Estudos Sefarditas Alberto Benveniste do Centro de História da Faculdade de Letras de Lisboa e a Academia Portuguesa da História, que falará sobre os contextos de fundação e extinção do Tribunal do Santo Ofício em Portugal.

O próprio Saul António Gomes, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e é investigador integrado do Centro de História da Sociedade e da Cultura, abordará “Os Cristãos-Novos de Leiria e a Inquisição”.

José Vieira Leitão, também da Universidade de Coimbra e do Centro de História da Sociedade e Cultura, revelará informações sobre “Bruxos e Bruxas da região de Leiria”.

E, finalmente, Ricardo Pessa de Oliveira, do Instituto Europeu de Ciências da Cultura Padre Manuel Antunes, Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, vai apresentar uma comunicação sobre “O Tribunal da Inquisição em Portugal: da Reforma Pombalina à Extinção, em 1821”.

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